A indústria do cartão de crédito pode considerar que 2007 foi o ano de consolidação da sua popularização como meio de pagamento. Até dezembro, o setor deve dobrar o volume faturado em 2003, e um dos principais componentes deste resultado é a penetração maciça junto ao chamado público de baixa renda - parcela da população que ganha entre R$ 150 e R$ 1.499 por mês.
Nos últimos quatro anos, o crescimento do faturamento da indústria foi de 136% junto a este público, enquanto nas demais faixas alcançou 85%. Os dados são do estudo exclusivo ''Baixa renda: o cartão como instrumento de crédito'', parte da pesquisa ''Indicadores do Mercado de Meios Eletrônicos de Pagamento'', realizada mensalmente pela Itaucard.
Conforme a pesquisa, a quantidade de cartões circulantes no mercado dá a noção desta popularização. Enquanto em 2003 o público de baixa renda era responsável por 58% do total de cartões emitidos, com 26 milhões de plásticos, a estimativa é de que, neste ano, sua participação salte para 67%, com 61 milhões de unidades. ''Este aumento de 135% na emissão de cartões é indicativo de que este público percebeu que pode controlar melhor os seus gastos rotineiros e obter mais crédito, sem juros, para compras de bens de maior valor'', afirma Fernando Chacon, diretor de Marketing de Cartões do Itaú.
A análise do perfil de consumo dos dois grupos confirma: a participação da baixa renda nas compras em supermercados, padarias e farmácias chega a ser o dobro do apresentado pela alta renda. Em compras parceladas, a diferença também é significativa, chegando a ser 4,5 vezes maior que as compras à vista, com tíquetes médios de R$ 182 e R$ 40, respectivamente. Na alta renda a diferença entre as compras parceladas e à vista é de 3,8 vezes, com tíquetes médios de R$ 339 e R$ 90, respectivamente. O parcelamento ocorre, em geral, na aquisição de produtos como eletrônicos, materiais de construção e móveis, setores em que o público de baixa renda responde por 51% do faturamento, contra 22% de participação da população com renda superior à R$ 2.500.
O crescimento da participação da baixa renda na indústria de cartões não é sentido somente pelo aumento do faturamento, mas também pela sua participação no volume total faturado. Em 2003, a diferença entre a participação da baixa renda e das ''demais rendas'' chegava a 17,8 pontos percentuais (41,1% e 58,9%, respectivamente). Segundo o estudo da Itaucard, até o final deste ano tal diferença deve ficar em 5,8 pontos, com a população com renda inferior a R$ 1.499 respondendo por 47,1% do faturamento, contra 52,9% dos outros grupos.

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