Baixa qualidade leva BR a importar produto
A pesquisadora Mariana de Aragão Pereira, da Embrapa Gado de Corte, informou que o Brasil também é importador de couro, principalmente no estágio acabado, porque a qualidade do produto brasileiro ainda deixa a desejar. ''O pecuarista nem sempre toma os cuidados necessários, no manejo, para evitar escoriações no couro dos animais'', comentou.
Segundo ela, há uma lei e uma norma técnica que determinam que a marcação a ferro deve ser feita na cara, no pescoço, acima da articulação do joelho (na pata traseira) ou do cotovelo (na pata dianteira). Fora desses locais, a marca prejudica o couro.
Outra recomendação para garantir couro de qualidade é abolir as cercas de arame farpado e não utilizar ferrão ou cachorro no manejo do rebanho, além de tirar árvores secas e galhos do pasto. No curral e nos caminhões que transportam o gado, tábuas lascadas e pontas de parafuso são potenciais danificadores do couro. Além disso, o controle de ectoparasitas evita danos. ''É bom lembrar que esses cuidados também revertem em benefício para a produção de couro'', ressaltou.
Gustavo Fanaya, economista do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Paraná (Sindicarne), comentou que como o couro é um subproduto embutido no preço pago pelo boi gordo, muitos pecuaristas não se preocupam em preservá-lo. Segundo ele, essa visão é equivocada, pois o couro entra na planilha utilizada para calcular o preço que a indústria pode pagar pelo boi. ''Se a indústria recebe mais pelo produto de melhor qualidade, poderá pagar mais pelo animal'', explicou.





