Baixa produtividade trava crescimento
O Brasil atingiu uma das menores taxas de desemprego de sua história, 6,9% no primeiro semestre do ano, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mesmo com esse número positivo, o País sofre para fazer a economia deslanchar e apresenta crescimento econômico tímido frente a outros países em desenvolvimento.
Segundo o professor Joel de Souza, fundador e consultor do Instituto Real, essa divergência pode ser explicada se for levada em conta a qualidade da mão de obra brasileira. "Para os trabalhadores que vivem no Brasil a vida atual é muito boa em comparação com os trabalhadores da China e de muitos países da África. Todavia, quando o objetivo é avaliar a nossa força de trabalho, descobrimos que o nosso índice de produtividade não é motivo de orgulho", explica.
Uma pesquisa divulgada neste ano pelo instituto americano de pesquisa Conference Board coloca o Brasil como o 81º país no ranking de produtividade de 2013, ficando atrás de países como Chile e Argentina. A carga horária média de trabalho de um brasileiro, 2.023 horas ao ano, não é o problema, visto que em países como os EUA, França e Alemanha as médias são 1.790 horas, 1.479 horas e 1.397 horas, respectivamente. A questão é o desempenho do trabalhador.
"O Índice de Produtividade do Trabalhador, obtido ao dividir o total do PIB pelo total de pessoas ocupadas ou de horas trabalhadas, incluindo-se as horas extras, calculado para o brasileiro em 2013, foi de US$ 10,8 por hora trabalhada. Apenas como comparação, o Chile possui um Índice de Produtividade de US$ 20,8. Isso torna evidente que o trabalhador chileno é quase duas vezes mais produtivo que o brasileiro", reforça Souza.
Jaime Júnior Silva Cardozo, presidente do Sindicato das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações, Pesquisas e de Serviços Contábeis de Londrina e Região (Sescap-LDR), afirma que não é de hoje que a produtividade do trabalhador brasileiro vem caindo. Para ele, isso não é culpa da população, e sim de uma série de fatores. "Em minha opinião, e seguindo estudos nessa área, o problema poderia ser resolvido dando a devida atenção em três pontos: educação; tecnologia e inovação; burocracia e infraestrutura", considera.
Cardozo reflete que no quesito educação, quanto mais qualificado o trabalhador, melhor será o desempenho de seu trabalho. Porém, deve-se levar em consideração a qualidade desta formação. "Vi o caso de uma multinacional com escritórios no Brasil e nos EUA: quando eles contratavam novos funcionários no Brasil, em geral universitários ou recém-formados, seu curso de capacitação tinha 120 horas de duração, já sua filial americana 30 horas", exemplifica.
Na questão da tecnologia e inovação, Cardozo explica que essa situação pode ser visualizada ao colocar um trabalhador do setor administrativo em frente de um computador "potente" com sistemas de informações avançados. "Ele certamente tem sua produtividade melhorada", ressalta. "Já a burocracia e infraestrutura são um entrave para algumas das atividades que representamos, como a de serviços contábeis, recursos humanos e administrativos. Nos últimos anos precisamos cada vez mais de colaboradores para processamento dos impostos e obrigações acessórias impostas pelos governos", sustentou Cardozo.
Além dos fatores identificados, Nelson Aparecido Barizon, diretor administrativo do Sescap-LDR, revela outro: a falta de comprometimento da nova geração de trabalhadores. "Há certo egoísmo recorrente no perfil dos novos profissionais. O foco é por melhores condições de vida e ganhos financeiros, contudo o envolvimento com o trabalho esta cada dia menor. A expectativa que possuem é de que sejam reconhecidos e valorizados rapidamente, sem a paciência e o empenho em demonstrar suas competências. Quando não reconhecidos, buscam outra empresa. E assim, sempre estarão iniciando processos e projetos, mas poucas vezes finalizando e trazendo os resultados sólidos", completa.
Fonte: Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e de Serviços Contábeis de Londrina (Sescap-LDR).





