A alta produção da safra 2012/13 de soja e os baixos estoques internacionais devem motivar um aumento nas exportações da oleaginosa neste ano. Ao todo, o Brasil estima embarcar até o final de 2013 em torno de 38,5 milhões de toneladas, ante as 31,9 milhões enviadas ao mercado externo em 2012. Flávio Roberto de França Junior, consultor associado da Safras & Mercado, explica que, com uma safra americana menor, o interesse na aquisição do produto continua aquecido.
De acordo com o último dado levantado pelo especialista, de janeiro a julho deste ano, o País comercializou 31,8 milhões de toneladas ou US$ 16,9 bilhões. Nos seis primeiros meses de 2012, o volume embarcado havia sido de 27,5 milhões de toneladas, o que rendeu ao Brasil US$ 14,2 bilhões. Só a China é responsável atualmente pela aquisição de 80% da matéria-prima nacional. "Essa dependência é um dos gargalos do setor, porque se eles mudam as regras de importação, o Brasil pode ter sérios problemas", alerta França Junior.
Além disso, o consultor destaca que o Brasil tem dado prioridade à exportação de matéria-prima ao invés de investir em produto acabado, como óleo de soja. França Junior completa que essa opção torna o País menos competitivo no mercado internacional.

Paraná
Para este ano, as exportações paranaenses com a oleaginosa tendem a obter bons resultados. De acordo com dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), as vendas da oleaginosa ao mercado externo neste ano devem superar os 6,28 milhões de toneladas embarcados em 2012. O economista do Deral, Marcelo Garrido, também atribui o possível aumento no embarque do produto ao alto volume de produção registrado no Estado.
Se comparado ao volume embarcado de janeiro a junho de 2013 em relação ao mesmo período do ano passado, o Paraná registrou queda nas exportações. O motivo, explica o economista, se deve à antecipação da comercialização da safra 2011/12, já que muitos produtores aproveitaram os bons preços da oleaginosa para antecipar as vendas. Nos seis primeiros meses deste ano, o Estado embarcou 3,81 milhões de toneladas, o que gerou uma receita de US$ 1,99 bilhão. No mesmo período do ano passado, o Paraná embarcou 4,3 milhões de toneladas ou US$ 2,15 bilhões.
"Neste ano, os produtores paranaenses estão comercializando aos poucos." Por isso, completa Garrido, o volume e a receita das exportações de soja sejam maiores neste ano. "O produtor está mais capitalizado, por isso não precisa vender tudo de uma vez", observa. Até a semana passada, 78% da safra paranaense estava comercializada, contra 81% se comparado ao mesmo período de 2012.
Em relação aos preços, Garrido completa que o valor da oleaginosa segue aquecido. Em junho deste ano, o preço médio pago ao produtor fechou em R$ 58,69, 0,7% maior se comparado ao mesmo período do ano passado. O economista do Deral completa que os preços da oleaginosa começaram a subir a partir do segundo semestre de 2012, devido aos efeitos do clima. A partir de agora, os preços vão depender do comportamento do mercado, conforme Garrido.
O último levantamento do Deral estimou que a produção paranaense de soja para o ciclo 2012/13 fique em 15,79 milhões de toneladas, volume 46% maior se comparado à produção referente à safra 2011/12. Em área, o Estado destinou para a safra atual mais de 4,7 milhões de hectares, 6% superior ao registrado no ciclo anterior. O motivo dessa significativa alta na produção, afirmam especialistas, se deve à quebra de safra ocorrida no ciclo 2011/12, provocada pela estiagem.

Imagem ilustrativa da imagem Baixa oferta internacional impulsiona exportação de soja
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