Baixa oferta eleva preço do açúcar em 13%
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terça-feira, 12 de julho de 2011
Ricardo Maia <br> Reportagem local 
De acordo com o último levantamento realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) a produção de açúcar no Paraná deverá crescer em volume na atual safra cerca de 10,7% se comparado ao mesmo período do ano passado. O índice é 3,45% maior do que a estimativa de crescimento de toda a produção brasileira. Em quantidade, o Paraná deve produzir no ciclo 2011/12 por volta de 3,35 milhões de toneladas de açúcar.
O volume de cana destinado para a produção da commodity no Estado deverá crescer 13,62% no ciclo 2011/12 em comparação à safra passada. Neste ano, devem ser enviadas só para a produção de açúcar no Paraná, 26,32 milhões de toneladas de cana. Mesmo com esse crescimento, o volume é insuficiente para atender a demanda. A falta de oferta no mercado interno, motivada principalmente pelas sucessivas quebras de safra, tem elevado os preços do produto.
Carlos Hugo Godinho, técnico do Departamento de Economia Rural (Deral), órgão da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), revela que o valor da tonelada de cana destinada para produção de açúcar cresceu 13% nos últimos seis meses.
Segundo Godinho, no mês de junho a tonelada de cana estava em R$ 45,21. Porém, em dezembro de 2010, o valor era de R$ 39/ton. ''O problema de todo o Brasil, não só do Paraná, foi a longa estiagem que derrubou bruscamente a oferta. Até o final desse ano, acredito que o mercado deverá se regularizar'', sublinha. Godinho completa que os produtores paranaenses têm investido na produção de cana-de-açúcar. ''Depende dele - produtor - optar pelo produto que for mais viável, açúcar ou etanol. Tudo dependerá do mercado'', enfatiza.
''Ambos os produtos, seja açúcar ou etanol, são vantajosos para os agricultores. Porém, até pouco tempo, boa parte da produção paranaense era voltada para o etanol porque o preço estava mais atrativo'', esclarece.
A pesquisadora do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Escola Superior Luiz de Queiroz (Cepea/Esalq), Mariana Pessini, completa que o atual momento é preocupante, pois a oferta de cana não é positiva. Ela explica que o preço do açúcar iniciou a safra com uma ligeira queda, mas voltou a subir por causa das condições climáticas desfavoráveis.
''Em dois anos houve quebras sucessivas de safra, por isso os preços se elevaram'', explica Pessini. Segundo a pesquisadora, não há como saber o comportamento de preços para os próximos meses, pois tudo será determinado pela oferta de cana nas usinas. Para ela, o crescimento do mercado de exportações da Índia, que tende a aumentar cada vez mais, poderá ajudar o Brasil, pois dará a oportunidade do País formar estoques.


