O aumento de cerca de 7% dos custos da pecuária no mercado nacional, constatado por levantamento da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP), não deve se refletir em processo inflacionário nos preços da arroba do boi, pelo menos no Estado do Paraná. Essa é a avaliação da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) e de seus pecuaristas. No entanto, devido a caraterísticas de sazonalidade, o preço da arroba do boi deve sofrer pequena valorização nos meses de agosto e setembro, devido à baixa oferta.
Segundo Leonel Poloni, diretor executivo da Fundação para o Desenvolvimento da Pecuária no Estado do Paraná, orgão vinculado à Faep, a variação do dólar é fator fundamental para que sejam realizados os cálculos de custos para o pecuarista. ''Vários dos insumos para a produção de sal proteinado, por exemplo, são importados, e interferem diretamente nos custos do produtor de todo o País.'' Segundo estimativas da CNA, a queda na cotação do dólar verificada nos últimos 90 dias pode, brevemente, começar a trazer os custos para baixo.
Para Poloni, os pecuaristas do Paraná, assim como praticamente todos os outros estados, sofrem com a intensa variação climática nas áreas produtivas, o que prejudicaria a qualidade dos pastos, ocasionando alta no preço da arroba do boi. ''A queda na qualidade dos pastos diminui a oferta e provoca ligeira valorização.'' Para Poloni, o desenvolvimento de tecnologias aplicadas à produção devem diminuir a interferência de fatores climáticos no preço da carne.
O aumento do preço do sal proteinado é considerado o principal responsável pela alta nos custos de produção da pecuária. Valdir Lazarini, da Pecuária Ribeirão da Onça, de Cascavel, diz que o sal representa 25% dos custos totais de produção. ''E é um suplemento que não pode deixar de ser fornecido ao gado no inverno'', diz o administrador da fazenda, que abate cerca de 2.200 animais por ano. Lazarini confirma a valorização da arroba aguardada pela FCP. ''Estamos passando por um período de entressafra, com pastagens degradadas pelo frio. Isso diminui a oferta e aumenta o preço do boi.''

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