Os preços pagos aos produtores de feijão do Paraná começam a reagir no início da colheita desta primeira safra. Na semana passada, o valor do grão de cor chegou a ser comercializado a R$ 97,11 a saca e o preto a 99,92/sc e fechou o período em R$ 88,74/sc e R$ 98,06/sc, respectivamente. Carlos Alberto Salvador, engenheiro agrônomo do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), afirma que os preços começaram a melhorar desde o início de novembro. O motivo, explica ele, se deve à redução de 19% na área semeada e a uma estimativa de queda na produção de 14%. No mês passado, o valor do feijão cor fechou em R$ 73,22/sc e o preto a R$ 94,08/sc em média.
Mesmo com essa elevação no preço da saca de feijão, na semana anterior, Salvador explica que os valores dos dois tipos da leguminosa ainda estão abaixo do preço mínimo, que é de R$ 95 para o cor e R$ 105 para o preto. "Mas estão aquecendo", salienta o agrônomo.
No final do ano passado, lembra ele, o valor pago ao produtor pela saca estava um pouco mais elevado. Em dezembro, a média para o cor fechou em R$ 92,05/sc e para o preto em R$ 134,42/sc. Em novembro de 2013, o valor da saca do grão foi registrado em R$ 103,04/sc e R$ 137,96/sc, respectivamente. Salvador ressalta que, na época, esses altos preços estavam relacionados a uma baixa oferta de feijão. A partir do momento que começou a colheita do ciclo 2013/14, os preços começaram a cair.
O engenheiro agrônomo do Deral explica que, neste ano, desde novembro o preço do feijão vem subido devagar, o que não causou grandes movimentos no mercado. Ele frisa que o valor pode aumentar um pouco mais daqui para frente durante o andamento da safra. Para o consumidor, o valor pago pelo quilo da leguminosa tem sofrido poucas mudanças nas últimas semanas, mas está mais baixo que o registrado no mesmo período do ano passado. De acordo com dados do Deral, os preços médios do quilo do feijão cor e preto fecharam em novembro a R$ 2,95 e R$ 3,60/kg na média, respectivamente. Se comparado ao mesmo período do ano passado, o valor de ambas as variedades está bem mais em conta: R$ 4,11/kg e R$ 4,18/kg.

Safra
Até o momento, 6% de uma área plantada de 193,74 mil hectares já foi colhida no Estado. Em produção, o Deral estima uma colheita de 343,18 mil toneladas, contra 399,69 mil toneladas recolhidas na primeira safra do ciclo 2013/14. Salvador afirma que as primeiras áreas colhidas têm registrado uma baixa nos índices de produtividade. Contudo, a média estimada para esta primeira temporada, de 1.787 quilos por hectare, ainda não foi alterada, podendo ser revisada no próximo levantamento de safra.
O agrônomo explica que a forte estiagem e as temperaturas elevadas que ocorreram durante a primavera comprometeram a produtividade das primeiras áreas colhidas. "Mas a qualidade continua boa", salienta o engenheiro agrônomo.
Em relação à redução de área, o agrônomo do Deral destaca que muitos produtores estão deixando de plantar feijão no primeiro ciclo para expandir a produção de soja. Ele explica que a oleaginosa tem remunerado melhor o produtor. A redução na área de feijão não tem ocorrido só no Paraná, mas em todo o Brasil. De acordo com dados da Companhia Nacional do Abastecimento (Conab), nesta primeira safra a área plantada com feijão registrou uma redução entre 9% e 10% em relação ao mesmo período do ciclo anterior.
A produção nacional neste ano deverá ser 18% inferior à registrada no mesmo período do ano passado. Ao todo, a estimativa nacional de produção de feijão está em 1,02 milhão de toneladas.

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