Baixa escolaridade compromete empresas
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terça-feira, 14 de janeiro de 2003
Agência Estado 
São Paulo A competitividade do Brasil no mercado global é baixa, como resultado da deficiente infra-estrutura de transportes e do insatisfatório índice de escolaridade. A conclusão é de um estudo realizado pela consultoria norte-americana Dri-Wefa, a pedido da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro. No ranking dos nove países escolhidos pela Firjan o Brasil aparece em sétimo lugar, à frente de Argentina e Espanha.
''O estudo reforça a necessidade de medidas do governo para melhorar o ambiente das empresas no País'', afirma a chefe da Assessoria de Pesquisas Econômicas da Firjan, Luciana Costa Marques de Sá. O objetivo do trabalho desenvolvido pela consultoria, que durou seis meses, foi fazer uma análise da capacidade de competição da economia brasileira. Primeiramente, construiu-se um índice, pelo qual o Brasil foi comparado aos Estados Unidos, México, Chile, Argentina, Coréia do Sul, Taiwan, Alemanha e Espanha. Dentre os aspectos avaliados constavam potencial de crescimento, tecnologia, infra-estrutura, educação, custos de financiamento e trabalhistas e estabilidade macroeconômica. O Brasil ficou em sexto lugar em desenvolvimento tecnológico, na quarta posição do ranking de custo trabalhista e em sétimo quanto ao fator custo de financiamento. O País é o último colocado em infra-estrutura e educação.
O Brasil apresenta a mais baixa taxa de matrícula em universidades e de população com nível superior, além da segunda pior colocação em termos de qualidade do ensino público em relação aos demais países analisados.
Nos Estados Unidos, Alemanha, Taiwan e Coréia, mais de um quinto da população em idade ativa tem, pelo menos, o grau universitário e as taxas de matrícula em universidades estão acima de 50%. No grupo de países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Alemanha e Espanha apresentam as menores taxas, porque, segundo o estudo, oferecem escolas e certificações técnicas como alternativas à educação superior.
Num segundo momento, o estudo abordou a estrutura tributária do Brasil em relação aos mesmos países. Viu-se que não somente a carga brasileira é elevada, como tem apresentado o maior crescimento ao longo dos anos. O trabalho constatou que o Brasil tem a segunda maior carga tributária do grupo, o equivalente a 37,82% do PIB em 2001, menor apenas que a da Alemanha (38,17%), país que possui renda per capita muito superior e oferece serviços públicos de maior qualidade.
A partir de 1993, a carga brasileira foi expandida em 1,4% ao ano. O estudo mostra que um corte linear nas alíquotas de todos os tributos em 20% poderia fazer a economia brasileira crescer a taxas superiores. Em relação ao potencial de crescimento no futuro, a pesquisa aponta que uma mesma indústria operando em cada um dos países abordados cresceria ao ano em média (no período de 2001-2015) 6% na Coréia, 5,9% no Chile e no México e 5,4% em Taiwan. O Brasil ficaria em quinto lugar, com 4,8%, caso resolvesse o drama tributário.


