A desvalorização do dólar perante o Real, que ocorreu de forma acentuada neste ano, de certa forma contribuiu para a melhora da qualidade de vida de muitos brasileiros. Alimentos ficaram mais baratos e produtos importados - como vinhos, frutas secas, tênis e roupas - tiveram seus preços rebaixados. No entanto, para outros setores da economia a queda do câmbio tem agido de forma perversa e, a longo prazo, pode afetar negativamente a vida da população, com o fechamento de postos de trabalho e a desindustrialização do País.
Dados da Delegacia da Receita Federal de Londrina mostram que nos primeiros onze meses deste ano as importações cresceram pouco mais de 40% no município, com relação a 2006. Até o dia 18 de novembro, as importações somaram US$ 331.616.313,00 contra um volume de US$ 233.294.512,00 registrado no ano passado. Já as exportações apresentam leve defasagem na comparação entre os mesmos períodos. Em 2006, as empresas locais comercializaram US$ 543.692.671,00 no comércio exterior, enquanto neste ano (até outubro) as exportações somam US$ 524.008.539,00.
Os dados mostram claramente que se para os importadores a baixa cotação do dólar é vantajosa, para os exportadores nem tanto. Em geral, as indústrias que exportam perdem capital - a partir da redução do lucro - e a capacidade de investimento. O economista Azenil Staviski, professor da Universidade Estadual de Londrina, explica que o baixo valor da moeda americana descapitaliza o setor exportador, que perde capacidade de lucro e renda. Segundo ele, o dólar acumula perdas de 38%. Portanto, a sua cotação real deveria ser de R$ 2,90, o que garantiria competitividade à indústria nacional.
''Alguns setores (exportadores) já estão operando no limite, outros não estão conseguindo e já estão com prejuízos'', afirma o economista. Talvez um exemplo seja a multinacional Milenia Agrociências, fabricante de defensivos e insumos, que tem sede em Londrina. O diretor comercial e diretor de planejamento Luiz Traldi comenta que o volume exportado caiu entre 10% e 15% neste ano, enquanto o faturamento caiu na mesma proporção. ''A nossa competitividade caiu com o dólar supervalorizado. Competimos internacionalmente com as indústrias chinesas, que têm incentivos de exportação'', afirma.
A partir deste panorama, as margens de lucro em alguns casos, foram reduzidas entre 30% e 40% para suportar o aumento de custos. Se a capacidade produtiva da planta industrial cair, o custo unitário dos produtos sobe e, por isso, a equação deve ser mantida em equilíbrio. Além da alta cotação do dólar, a empresa ainda enfrenta o alto custo das matérias-primas, que são importadas, e que tiveram reajuste de preços durante este ano. O resultado disso é que em 2008 a empresa deve repassar parte das perdas nos preços.
''Teremos que fazer uma escolha por manter a saúde financeira da empresa e por manter a qualidade dos nossos produtos. Estamos acumulando perdas há dois anos'', diz Traldi.
O economista Azenil Staviski acrescenta que os setores indústrias mais sensíveis à desvalorização cambial são: têxtil, calçadista, automóveis e auto-peças. ''Para acompanhar a variação da moeda, a saída é a adoção de novas estratégias de gestão, com enxugamento dos custos e ganhos de produtividade'', observa.

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