Bahia retoma a produção de trigo
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quarta-feira, 10 de setembro de 2003
Biaggio Talento<br>Agência Estado 
Salvador O sonho de reintroduzir a cultura do trigo na Bahia após uma tentativa fracassada realizada há 20 anos, devido a manejo inadequado, está se tornando realidade. A primeira safra comercial do produto plantada em 500 hectares na Chapada Diamantina, região central do Estado, começou a ser colhida esta semana e deve render cerca de 2,5 mil toneladas aos produtores, menos de 1% do consumo anual de trigo da Bahia, que é de 450 mil toneladas.
''Essa reintrodução se dá com um trigo de qualidade equivalente ao argentino e uma produtividade de seis toneladas por hectare'', comentou o governador Paulo Soto, no município de Ibicoara, ao acompanhar o início do trabalho de uma colheitadeira na Fazenda Progresso, de propriedade do gaúcho Pedro Hugo Borré (um dos parceiros do governo baiano na empreitada), onde foram plantados 100 hectares.
Outro grupo que participa do projeto, o Igarashi, com fazendas em Ibicoara e Mucugê, possui empreendimentos rurais em Santa Catarina, Minas Gerais e Goiás. Conforme o gerente comercial do grupo, Márcio Kawakami, a idéia é dobrar a área de 400 hectares plantada de trigo nessa safra no próximo ano. Se tudo der certo, o Igarashi deve cultivar pelo menos três mil hectares do produto na Chapada Diamantina nos próximos anos.
A safra baiana já sairá dos campos vendida ao grupo J.Macedo, que atua na área de processamento do trigo, conforme contrato firmado com o governo estadual. ''O trigo se constituirá numa excelente opção para os agricultores da Chapada fazerem uma intercalação de culturas com alto retorno econômico e tenho certeza que os bons resultados alcançados aqui com a triticultura seguramente servirão de estímulo para atrair novos empresários para esta região'', disse o governador.
O presidente da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) Joaquim Santana, explicou que a primeira colheita comercial de trigo irrigado da Chapada Diamantina ''é o resultado final de um trabalho de pesquisa iniciado há dois anos pela EBDA, em parceria com a Embrapa e empresários rurais''.
Esse estudo englobou 25 tipos de trigo, sendo nove cultivares e 16 linhagens, visando identificar os materiais genéticos mais adaptados à região, com produtividade e resistência a doenças e pragas e que, ao mesmo tempo, atendesse às especificações da indústria de moagem e panificação. As variedades BRS 207, 22 e 42 foram as que melhor se adaptaram à região.
''Nessa primeira experiência comercial desenvolvida na Chapada, os resultados alcançados foram mais do que satisfatórios, superando inclusive as nossas expectativas. Agora este trabalho será ampliado para os municípios de Barreiras e Luís Eduardo Magalhães, com a previsão de plantar, já em 2004, cerca de 300 hectares em escala comercial'', disse Santana.
Para Santana, a Chapada Diamantina e a região de Barreiras poderão vir a responder por até 35% da demanda de trigo no Estado.


