Bahia incentiva novos investimentos em pecuária
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segunda-feira, 11 de dezembro de 2000
Vânia Casado De Curitiba 
O crescimento da pecuária de corte na região Sul e Sudoeste da Bahia está estimulando o governo estadual a se engajar no processo de modernização do segmento, concedendo incentivos fiscais aos pecuaristas. O rebanho já atinge 8 milhões de cabeças, sendo que 80% é constituído de raças de corte. Com faturamento anual de R$ 1,2 bilhão, a pecuária já representa 30% do faturamento total da agropecuária que rende R$ 4,5 bilhões por ano ao Estado da Bahia.
Com os benefícios, os pecuaristas estão investindo na área de sanidade e nutrição. Eles estão recorrendo à instalação de pivôs centrais na reforma de pastagens, permitindo que o boi possa pastejar direto nas áreas beneficiadas pela irrigação. Para esses investimentos, os pecuaristas estão sendo apoiados por uma linha de crédito do Banco do Nordeste, onde o governo do Estado assume 50% de todos os encargos financeiros dos financiamentos. O benefício é concedido tanto para a pecuária de corte como de leite.
Na área de sanidade, o estado está há 3,5 anos sem registrar focos da febre aftosa, e também luta pelo reconhecimento internacional da erradicação da doença, juntamento com os estados do Circuito Pecuário Leste. Esse reconhecimento poderá vir em maio de 2001, mas depende dos resultados dos exames de sorologia encerrados no mês passado.
Controle sanitário O governo da Bahia está investindo cerca de R$ 15 milhões por ano nas ações de Defesa Sanitária Animal que vem sendo bastante rigorosas, segundo as declarações do secretário da Agricultura Pedro Barbosa de Deus. Segundo ele, foram montadas 75 barreiras de fiscalização nas fronteiras do Estado com um reforço na zona tampão dentro do próprio Estado, que envolve oito municípios no Noroeste do Estado, na margem esquerda do Rio São Francisco, próxima à fronteira com os estados do Piauí e Pernambuco.
Pedro de Deus destacou que a Bahia é o primeiro estado brasileiro a criar a Agência de Defesa Agropecuária, uma autarquia que tem autonomia administrativa e financeira e tem recursos orçamentários para fazer o trabalho na área sanitária. O órgão conta com o apoio da EBDA (Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola), que faz o trabalho de extensão naquele Estado e tem capilaridade para executar as ações definidas pela agência.
Como no Paraná, o governo estadual também firmou parceria com a Federação da Agricultura do Estado da Bahia (Faeb), no processo de erradicação da febre aftosa. A federação baiana envolveu todos os sindicatos rurais na mobilização dos pecuaristas nas campanhas de vacinação que lá acontecem nos meses de março e dezembro. A Faep estima que a Bahia tem cerca de 300 mil pecuaristas, sendo 200 mil de médio e grande porte.
Vacinação assistida Este ano, a federação e a Secretaria da Agricultura da Bahia recorreram à vacinação assistida, visando atingir o pequeno produtor que tem no máximo dez cabeças na propriedade. Geralmente esse proprietário é aquele que coloca maior risco aos rebanhos comerciais, porque não considera o ato de vacinação importante, disse o presidente da Faeb, João Martins da Silva Júnior. O pecuarista acredita que pelo menos 100 mil produtores na Bahia sejam classificados como pequenos.
O Estado quer modernizar a pecuária para alcançar novos mercados e vender carne tanto para os estados da região Sul e Sudeste como para exportação, disse o secretário. O governo do Estado prevê um excedente de 100 a 150 mil toneladas de carne por ano que poderão ser exportados.
Pecuária de leite Na pecuária de leite, a atenção do governo também não é diferente. A Secretaria da Agricultura se aliou ao Senar para concentrar esforços na capacitação dos pequenos produtores. Eles têm acesso a cursos e treinamento onde aprendem noções de higiene na ordenha. A Secretaria da Agricultura investiu R$ 720 mil este ano, que resultou na capacitação de aproximadamente 600 trabalhadores e gerentes (capatazes) de fazenda. A meta é capacitar 30 mil trabalhadores até o final de 2002. Barbosa de Deus salientou que a Bahia se preocupa em fixar mão-de-obra no campo porque é um dos estados que mais tem população rural, em torno de 5,8 milhões de pessoas. O Estado tem uma população de 13 milhões de habitantes.
Como complementação ao esforço na área de sanidade e de capacitação, o governo da Bahia está implementando o programa de novilho precoce, que tem como objetivo reduzir o período de abate dos animais de quatro para 2,5 anos. De acordo com Pedro de Deus, os pecuaristas estão revertendo as áreas de pastagens degradadas e que oferecem rendimento baixo. Os proprietários estão acordando para a necessidade de transformar a pecuária, porque se conscientizaram que não podem mais conviver com a baixa produtividade, disse o secretário.
Novilho precoce Atualmente são 946 produtores que estão inscritos no programa de novilho precoce. O sucesso do programa credenciou a Bahia a realizar o 6º Encontro Nacional do Novilho Precoce em 2001. Os pecuaristas estão recorrendo aos financiamentos do Banco do Nordeste, que este ano disponibilizou R$ 20 milhões e deve disponibilizar o mesmo volume de recursos em 2001, acredita o secretário. Outras vantagens são oferecidas a quem adere à iniciativa como incentivos fiscais do governo estadual. Ele abate 50% de ICMS dos animais classificados como precoces em frigoríficos credenciados junto ao programa.
Como reflexo desse empreendimento está aumentando os abates de novilho precoce no Estado. No frigorífico Mencail, de Teixeira de Freitas, onde se abate de 3 a 4 mil animais por mês, cerca de 65% dos abates realizados já são classificados como novilho precoce. Assim como no Paraná, os pecuaristas lamentam que a rede varejista não valoriza os frigoríficos, que por sua vez não repassa aos produtores, um adicional no pagamento por uma carne de melhor qualidade.
A jornalista Vânia Casado viajou a Salvador a convite da Secretaria da Agricultura da Bahia.


