Baggio afirma que governo concorre com produtores Cláudia Lopes De Londrina O presidente do Sindicato Rural de Cornélio Procópio, Wilson Baggio, é contra os leilões de álcool que vêm sendo realizados pelo governo federal desde o final do ano passado. ‘‘O governo deveria esperar os estoques dos produtores diminuírem. Neste momento, ele está concorrendo diretamente com os produtores’’, afirmou. Os leilões deveriam começar no próximo mês, segundo Baggio. ‘‘Em abril, os estoques normalmente baixam’’, disse. ‘‘Os volumes leiloados também são muito altos. O governo tem o direito de vender o que comprou mas deveria fazer isso aos poucos, sem prejudicar os produtores. Além disso, o ideal é que mantenha um estoque de segurança’’. Baggio encaminhou ontem uma carta para o ministério das Minas e Energia, Agência Nacional de Petróleo (ANP) e Petrobras pedindo a liberação de linhas de financiamento específicas para produtores de cana e usineiros. Ele teme uma grande queda nos preços do álcool depois do início da safra, que vai de maio a novembro. ‘‘O setor está endividado. Tem produtor vendendo o produto adiantado, antes mesmo do início da colheita, por R$ 0,27 o litro’’. Hoje, o litro custa cerca de R$ 0,45 nas usinas. ‘‘Na safra do ano passado, o litro do álcool chegou a ser vendido por R$ 0,15 mas o consumidor não foi beneficiado. Quem sai ganhando, neste caso, é sempre as distribuidoras’’, reclamou Baggio. O problema, segundo ele, pode ser resolvido com a liberação dos financiamentos, que darão fôlego ao setor. O consumo brasileiro de álcool é de cerca de 12 bilhões de litros por ano e o custo da produção do álcool hidratado varia de R$ 0,30 a R$ 0,33 por litro. ‘‘Produzimos durante seis meses e temos que ter dinheiro para aguentar o resto do ano. Isso poderia ser viabilizado através de uma linha de capital de giro para a estocagem do BNDES’’, sugeriu Baggio. Por enquanto, os produtores têm recorrido às linhas disponíveis no mercado, com juros altos, segundo ele. Outras linhas de empréstimos seriam para o plantio e custeio da cana. ‘‘O BNDES já tem uma linha para o plantio mas não dá para contar com isso porque a liberação é muito complicada. Falta uma política específica para o setor’’, afirmou Baggio. O presidente do sindicato também pediu, em sua carta, a liberação de linhas de financiamento para o setor de café. ‘‘Os produtores estão precisando de dinheiro para a colheita’’. Baggio acumula a função de presidente da Comissão Técnica de Café da FAEP – Federação da Agricultura do Estado do Paraná.