Bagaço de cana é opção para produção de energia
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sábado, 12 de janeiro de 2013
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
A produção de energia elétrica por meio da queima do bagaço de cana-de-açúcar deve voltar à pauta de discussão entre produtores e o governo federal, diante da possibilidade de a queda no nível dos reservatórios de água prejudicar o fornecimento por meio de hidrelétricas. O uso da biomassa a partir de usinas de açúcar e álcool é apontado como viável pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) e poderia gerar ao menos o equivalente à metade da produção da Hidrelétrica de Itaipu, que em 2012 foi de 98 milhões de megawatts-hora (MWh).
Presidente da Associação dos Produtores de Bioenergia do Paraná (Alcopar), Miguel Rubens Tranin afirma que a viabilidade do mecanismo depende de um plano de médio prazo do governo, para que os usineiros invistam em equipamentos com a garantia de retorno. Ele afirma que a conversa entre os setores já existe, mas ainda muito superficial. "Para o produtor seria uma chance de ter uma receita maior, mas precisa de um horizonte para investir, e não apenas quando houver baixa nos reservatórios."
Algumas usinas já produzem energia para consumo próprio e chegam a comercializar o excedente. Não há interferência no processo para fazer açúcar e álcool. O que muda é que o bagaço é queimado em uma caldeira e o vapor proveniente passa por uma turbina, que gera energia elétrica.
O coordenador de pesquisa tecnológica do CTC, Suleiman José Hassuani, afirma que a sobra da moagem de três toneladas de cana gera o equivalente a 210 kilowatts-hora (kWh), o bastante para suprir o consumo médio de uma residência em um mês. E a capacidade de uma usina é de processar 500 toneladas por hora. "O setor exporta para a rede (de transmissão de energia) 770 MW médio de potência. Se fosse em caldeiras de alta pressão e com 50% da palha da cana, chegaria a 3.650 MW médio", diz.
Com equipamentos avançados, os 531,35 milhões de toneladas de cana processadas na safra de 2012/13 poderiam gerar 58,3 milhões de MW/h. Parte dos motivos que emperram a produção de energia elétrica está justamente nas caldeiras. Nos casos das novas instalações, Hassuani diz que a tendência é já começar a funcionar com sistemas de alta pressão, mas nas antigas, a troca representaria um investimento alto, só justificado caso o mercado para a venda da produção esteja consolidado.
Porém, o coordenador do CTC lembra que o preço pago em leilões de energia é hoje quase o mesmo que o usineiro consegue apenas com a venda do bagaço para indústrias que usam o material para sustentar o próprio consumo. Como ele diz que o governo usa como parâmetro apenas o preço, com a separação entre o que é energia renovável e fóssil, a hidrelétrica sempre é mais barata do que a de biomassa. "Se falta água, o governo usa as termoelétricas a diesel, que é caríssimo. Uma energia com preço intermediário seria a biomassa."
Segundo Hassuani, nos leilões o preço do MWh oferecido é de 30% a 50% menor do que o que seria adequado para a energia de bagaço de cana, devido ao baixo preço do produto de hidrelétricas. Em momentos como o atual, no qual a situação é crítica nos reservatórios brasileiros, ele diz que o governo terá de usar energia termoelétrica à base de gás e diesel, com custo de duas a três vezes maior do que seria a de cana. "A térmica mais barata não é a gás, não é a diesel, é a biomassa."
O coordenador do CTC, assim como o presidente da Alcopar, admitem que existem conversas sobre o tema com a União, mas que é preciso tratar o assunto com

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