Kraw PenasFuncionários mantêm em operação a linha de produção da LabraA fábrica de lápis e material escolar Labra, cuja falência foi decretada em abril do ano passado, está em atividade com 60% de sua capacidade total. A empresa foi reativada em junho do ano passado pelo síndico da massa falida, o Banco de Desenvolvimento do Paraná (Badep). O banco, que está em processo de liquidação desde fevereiro de 1991, tenta reestruturar e sanear a empresa para colocá-la à venda para um grupo privado. A dívida total da Labra é de R$ 40 milhões, entre o passivo trabalhista e fiscal.
A reabertura da empresa foi conseguida através de uma iniciativa do próprio Badep, que obteve autorização da 3ª Vara da Fazenda Pública. ‘‘Se a fábrica ficasse fechada haveria uma depreciação dos equipamentos e seria mais difícil fazer a reativação mais tarde’’, explicou o representante do síndico, Samuel Ferreira Sampaio. Ele disse que a empresa deve estar com as dívidas pagas no prazo máximo de dois anos, quando ela será colocada à venda.
Por enquanto, o objetivo é reestruturar a empresa. Hoje, ela conseguiu recuperar parte da produção. A Labra está fabricando por dia 4,5 mil grosas de lápis, o que representa 650 mil lápis. No pico da produção, que foi atingido em 1992, a Labra teve uma produção diária de um milhão de lápis. A produção chegou a zero meses antes de ser decretada a falência pela juíza da 3ª Vara da Fazenda Pública, Anny Mary Kuss Serrano.
Única empresa totalmente nacional na produção de lápis, a Labra caminha a passos lentos na retomada de seu faturamento. Mas a massa falida conseguiu sair do vermelho. Segundo Sampaio, a empresa está ‘‘dando lucro’’. O faturamento médio mensal é de R$ 800 mil. Há quatro anos, a Labra chegou a faturar R$ 22 milhões ao ano.
Os 342 funcionários da Labra retomaram a produção de apenas três produtos que eram fabricados antes da falência. São produzidos o lápis comum, o grafite e ainda o lápis de cor. A fábrica chegou a fazer réguas, borracha e até material escolar de plástico. ‘‘Estamos com todo o estoque vendido até o final do mês’’, disse Sampaio.
Apesar da produção ser menor, os funcionários não reclamam da situação da empresa. Meses antes da fábrica fechar, eles estavam com os salários atrasados e não tinham expectativa de mudança para melhor. ‘‘Agora está tudo bem, porque pelo menos recebemos em dia’’, afirmou a operadora de máquina Erinéia Barbosa, que trabalha há 11 anos na Labra.

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