Os blocos energéticos de gás e petróleo do Paraná ofertados nos leilões da Agência Nacional do Petróleo seguem esquecidos pelas grandes empresas petrolíferas em razão do alto custo de pesquisa. As reservas, que incluem os campos de Pitanga, Mato Rico e Rio Vorá, em Pitanga e Mato Rico - região central do Estado -, permanecem semi-avaliadas e alvo de sigilo comercial.
  De acordo com o coordenador do curso de Engenharia de Petróleo da UFRJ, Alexandre Leiras, a Agência Nacional de Petróleo (ANP), que detém a concessão das áreas, somente libera as informações disponíveis sobre as reservas para empresas interessadas em comprar o direito de exploração nos leilões públicos internacionais. ‘‘Só tem acesso às informações as empresas que pagam para entrar nos leilões. Isso é uma questão estritamente comercial’’, disse.
  Sobre a bacia do Paraná, ele contou que o ‘‘volume real ainda não foi provado.’’‘‘O acesso aos blocos é muito complicado. A camada rochosa no Estado é muito dura e dificulta a perfilagem’’, contou, em referência ao processo de perfuração para verificar o perfil do sólo.
  ‘‘A perfilagem é feita por camadas de 9 metros de profundidade, ao custo de U$ 10 mil a U$ 15 mil. No Paraná a profundidade é muito grande e a camada de granito dificulta o trabalho. Isso tudo encarece o estudo de viabilidade da exploração e afasta as empresas porque outras regiões tem custo menor para verificação de produtividade’’, explicou.‘‘Muitas vezes, as empresas fazem de 100 a 150 perfurações e acabam explorando apenas um ou dois poços’’.
  Segundo o professor, o arremate da bacia do Paraná pode se concretizar no futuro via barateamento do processo de perfilagem ou escassez das outras fontes de gás e petróleo no País. A ANP iniciou há uma semana a 8ªrodada de leilões, mas houve interrupção por decisão judicial a pedido da deputada federal Dra. Clair (PT/PR)

  Expectativa - A confirmação dos campos de gás na região central do Estado, em 97, pela Petrobras, impulsionou as expectativas da população e administrações municipais de início de um novo ciclo de desenvolvimento econômico. Fontes da Petrobras declararam à Folha, na época, que as reservas permitiriam a extração de mais de 1 milhão de metros cúbicos de gás natural por dia. O Governo do Estado chegou a estudar a viabilidade de construir um gasoduto entre o município de Pitanga e os centros consumidores do eixo Londrina-Maringá.
  Passados quase 10 anos, as expectativas diminuíram com o término das pesquisas e o abandono das reservas. As explicações para o recuo são contraditórias. Fontes da Petrobras alegam que o volume inicialmente previsto não se confirmou porque a pressão dos dois poços construídos em Pitanga diminuiu rapidamente.
  No entanto, a Petrobras informou à ANP, este ano, em sua Planilha de Planejamento, que prevê o início da extração do gás no campo de Barra Bonita em 2009. A informação foi passada à Folha pelo Ministério das Minas e Energia. A Petrobrás não se pronuncia oficialmente sobre o assunto alegando sigilo comercial. (F.C.)

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