Há uma saída para a economia voltar a crescer a 8% ao ano, atrair muito investimento produtivo e aumentar o salário real dos trabalhadores medido em dólares: é conseguir reduzir o custo de fazer negócios no Brasil, por meio de três reformas – tributária, previdenciária e trabalhista – que estavam no ideal do Plano Real desde o início, mas não foram aprovadas em seus seis anos de existência. A proposta é do economista Edmar Bacha, ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e um dos principais formuladores do real.
Inconformado com o festejado – mas ‘‘tímido’’ para o Brasil – crescimento de 4% esperado para este ano, Bacha acredita ser possível dobrar a aposta se a economia for ‘‘desatravancada para realizar seu potencial de expansão’’. Ele não vê outra alternativa para aprovar essas reformas que não seja por meio de emendas à Constituição. ‘‘Compreendo o desespero dele com esse assunto’’, afirma, comentando resistências do presidente Fernando Henrique Cardoso a voltar a depender de votações de três quintos do Congresso.
Nesta entrevista, Bacha fez uma revelação até hoje guardada em segredo pelo pequeno grupo que discutiu a desastrada desvalorização cambial de março de 1995. ‘‘Ali ou era dar 5% e chegar a 10% devagarzinho em seis meses, ou dar 10% e parar’’. Isso revelou os parâmetros da divergência entre Gustavo Franco e Pérsio Arida. E, depois de seis anos, reconhece: ‘‘Nossa discussão estava toda errada. Já naquele momento deveríamos começar a discutir a flutuação do câmbio. E isto nunca nenhum de nós propôs’’.
O ex-presidente do Banco Central, Pérsio Arida, confirma os números envolvidos na discussão sobre a desvalorização de 1995, mas dá uma versão um pouco diferente sobre a sua posição, que foi derrotada pela regime de banda estreita introduzido por Gustavo Franco. ‘‘Naquela época, eu já tinha observado que os anos eleitorais estavam associados a problemas cambiais em diversos países’’, diz Arida. Por isso, a sua idéia era a de desvalorizar o real em 10%, e introduzir uma banda larga que fosse ampliando-se gradativamente. ‘‘Quando nós chegássemos às eleições de 1998, a banda seria tão larga que, na prática, seria como um regime de câmbio flutuante’’, diz ele.
Hoje consultor-sênior do banco BBA, Edmar Bacha foi eleito na última quinta-feira e toma posse em um mês no cargo de presidente da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid). A seguir, a entrevista de Bacha.

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