A garantia de um preço mínimo para o frango de corte – como defendem os granjeiros da região de Astorga – é praticamente impossível e está fora da realidade de um mercado globalizado e altamente competitivo. Esta é a posição da Avipar (que representa os abatedouros do Paraná), diante das denúncias feitas na quinta-feira por produtores do Norte e Noroeste do Estado, reunidos em Astorga. Os produtores disseram que dezenas de granjas já suspenderam suas atividades por estarem trabalhando com prejuízos.
O presidente da Avipar, Paulo Muniz, lembrou ontem que a avicultura ‘‘é uma atividade que está inserida num contexto de mercado e nossas políticas de preços decorrem de ações de mercado. A lucratividade e o consequente sucesso da atividade resultam de fatores como eficiência e dedicação’’. As indústrias também enfrentam forte concorrência e administram uma atividade de risco - disse. ‘‘Uma pequena suspensão das compras por parte do Oriente Médio e o mercado interno fica abarrotado de frango’’, exemplificou. As consequências disso se manifestam em poucos dias, mas são inerentes ao mercado, e têm que ser administradas.
Segundo Muniz, o comércio de frango é uma atividade de giro rápido que tem a vantagem da boa liquidez, mas exige dedicação. ‘‘O frango não comporta empresários que tenham outra atividade e subestabelecem para propostos. E deu o seguinte exemplo: fazendeiros ou médicos que tenham granjas estão expostos a dificuldades ainda maiores. A avicultura, hoje, é exigente demais para ser tratada como atividade complementar ou secundária.
Segundo o presidente da Avipar há segmentos, dentro do setor avícola, que trabalham com margens previamente estabelecidas. No entanto, frisou os fatores sanidade, nutrição e genética, ‘‘que sustentam o setor’’. Qualquer proposta que se distancie disto não encontra amparo na cadeia produtiva - disse - fazendo referência à proposta de preço de garantia.
Segundo o presidente da Avipar, dias atrás, em Santa Cecília do Pavão, conversou com um pequeno granjeiro de corte que disse estar obtendo boa renda. É um produtor que abate apenas 15 mil frangos e consegue tirar R$ 2.000,00 a cada 45 dias. ‘‘Não há atividade que dê uma renda dessas em área de apenas um alqueire, como naquele caso’’, comentou Muniz.

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