A elevação dos preços do milho e da soja tem sido comemorada pelos produtores de grãos, mas para a avicultura essa situação tem causado uma instabilidade no setor. Hoje, de acordo com dados do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), o milho e o farelo de soja representam 50% do custo de produção. Domingos Martins, presidente da entidade, alerta que os preços dessas commodities tendem a continuar em elevação, o que dificultará ainda mais a cadeia produtiva.
''Calculamos que até fevereiro do próximo ano o mercado deverá ficar nervoso'', aponta Martins. Além disso, o presidente do Sindiavipar completa que se confirmada a quebra de safra nos Estados Unidos, poderá faltar soja no final do ano. Ele lembra que desde o começo do ano o custo de produção da avicultura já aumentou em 30%. O representante do Sindiavipar já adianta que as indústrias vão diminuir a produção. ''Essa desaceleração vai ser mais por medo do que vai acontecer com o mercado'', adianta. Este ano, os preços das commodities estão em constante alta devido, principalmente, à quebra de safra de verão no Brasil, que no caso da soja do Paraná registrou perdas de 30% na produção por causa da seca. E, agora, intempéries nos Estados Unidos também estão prejudicando a safra de milho, que já registrou perdas de quase 20%.
Questionado pela FOLHA sobre uma possível desistência de produtores da atividade, Martins sublinha que pode ser que muitos não queiram investir, mas desistir é pouco provável. Roberto Carlos, técnico do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), afirma que a indústria já orientou os produtores a reduzirem a produção. Mesmo assim, ele acredita que o mercado não irá ficar desabastecido. Atualmente o Paraná abate mais de 110 milhões de cabeças por ano, sendo o maior estado produtor do País. Desse total, 70% é voltado para o mercado interno e 30% para o interno.
Ao consumidor
Carlos explica que com menos oferta e um possível aumento do consumo no segundo semestre, como acontece todos os anos, os preços tendem a aumentar. De acordo com dados do Deral, a média de preço do frango resfriado ao consumidor no mês de julho foi de R$ 2,87 o quilo, 2,79% a mais se comparado ao mesmo período de 2011. Na semana passada o valor do produto chegou a R$ 3,48, o quilo, alta de 20% em relação à média de julho. O pesquisador do Deral afirma que a tendência é de que os preços fiquem ainda mais elevados nos próximos meses.
Diante do repasse ao consumidor, o pesquisador do Deral informa que o preços recebidos aos produtores também registraram aumento. Segundo dados do Sindiavipar, em janeiro o quilo do animal oferecido ao criador era de R$ 0,70, mas hoje gira em torno de R$ 2,20. De acordo com o presidante da entidade, Domingos Martins, tudo isso dependerá do contrato estabelecido do criador com sua integradora.

Imagem ilustrativa da imagem Avicultura sofre com a alta das commodities
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