Avicultura reduz oferta para melhorar preço
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quarta-feira, 30 de abril de 2003
Betânia Rodrigues<br> Reportagem Local 
Maio é o mês da esperança para o setor avícola brasileiro. A redução de 8% no número de alojamentos para pintainhos em março deve apresentar os primeiros reflexos a partir de agora. A expectativa é que a queda na oferta aumente o valor do produto no mercado interno, que hoje varia entre R$ 1,70 e R$ 1,90 o quilo para o consumidor.
De acordo com Alfredo Kaefer, diretor do frigorífico Diplomata Comercial e Indústria, o objetivo dos integrados (criadores e indústria) é equilibrar o custo de produção com a venda. ''A margem de lucro está muito apertada devido à importação dos insumos, excesso de oferta e baixo poder aquisitivo dos consumidores'', explicou.
Para driblar a concorrência alguns empresários incorrem na ilegalidade como, por exemplo, sonegar impostos e encher de água o frango industrializado. Segundo o funcionário de um frigorífico que não quer ser identificado, essa prática alida à ineficiente fiscalização prejudica a imagem do produto nacional que, à custa de muito esforço, está abrindo cada vez mais o mercado externo.
''Atualmente, o Brasil é o País que tem as melhores condições para criar o frango. Além da abundância de soja e milho ingredientes essenciais na ração desta ave deve-se levar em conta a experiência que temos neste ramo'', justificou Luiz Antonio Genevro, gerente da Divisão de Alimentos da Cooperativa Agroindustrial Lar.
De acordo com Domingos Martins, presidente do Sindicato da Indústria de Produtos Avícolas do Paraná (Sindiavipar), as exportações ditam a dinâmica do mercado, determinando a necessidade de aumentar ou diminuir o alojamento no Estado. Em março, havia cerca de 305 milhões de aves alojadas no País, sendo mais de 60 milhões no Paraná. A indústria avícola estadual projeta expansão de 12% no valor exportado em 2003. No ano passado, o total exportado pelo segmento foi de US$ 331,3 milhões, um aumento de 3,12% em relação a 2001.
Na opinião de Kaefer e Genevro, a queda no preço do dólar não deve afetar a exportação do frango brasileiro por causa dos contratos já assinados. A exceção são os criadores independentes que sofrem mais com a flutuação do câmbio e têm menor poder de negociação. Para se livrar do risco, a maioria dos criadores paranaenses se uniu à indústria num sistema de produção integrado.
Conforme o Sindiavipar, o número de abates em março no Estado (61.787.614 cabeças) foi 9,1% superior ao registrado no mesmo período do ano passado (56.630.846 cabeças) e 1,89% maior que em fevereiro deste ano (60.637.707 cabeças). Com produção de 117,3 mil toneladas de carne de frango, o Paraná respondeu por 18,14% do total nacional, estimado em 646,9 mil toneladas. O crescimento do Estado superou o avanço nacional, de 4,3% em relação a março de 2002.
A alta competitividade da agroindústria local, investimentos em plantas industriais modernas, plena safra do milho e da soja que provocaram ligeira queda no preço dos insumos foram citados por Martins como resposta à liderança do Estado na produção de frangos.


