Avicultura quer garantir oferta de milho
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segunda-feira, 24 de julho de 2000
Vânia Casado De Curitiba 
Avicultores e tradings do Paraná definem hoje, em Curitiba, estratégias para a importação de milho. Diante da quebra da safrinha eles estão preocupados com a iminente falta do produto, agora que estão começando a recuperar o preço do frango.
Para o diretor executivo da Avipar, Icaro Fiechter, a preocupação é saber quanto o Paraná irá colher para, então, medir o volume que a indústria terá à disposição. A indústria quer se prevenir e agendar importações para saber quanto vão custar as operações. A indústria não quer correr o risco de ficar sem o produto novamente, destacou ele.
Os avicultores estão pagando entre R$ 12,00 e R$ 12,50 a saca de milho, valor compatível com os preços dos frangos em torno de R$ 1,45 a R$ 1,50 o quilo. Se continuar assim, poderemos recuperar lentamente o setor e as indústrias vão poder voltar a respirar, afirmou Fiechter.
Para o analista da agência Safras e Mercados, Paulo Molinari, o desafio é descobrir qual o valor do milho importado que poderá ser entregue nas indústrias. Ele destaca que a Argentina é o país com maior viabilidade para exportar o grão para o Brasil, já que nos países fora do Mercosul é cobrado imposto de importação de 11%. O país tem cerca de 2,5 a 3 milhões de toneladas de milho disponíveis para vender ao Brasil, cujo preço está oscilando entre US$ 80 a US$ 85 a tonelada.
Nesse valor o milho pode chegar entre R$ 12,80 a R$ 13,00 a saca, posto na indústria, distante aproximadamente 250 quilômetros do Porto de Paranaguá. Se a importação for feita por uma trading, que vai revender o milho para as indústrias, o analista lembra que na operação incide a cobrança de impostos como a agregação de ICMS, Pis e Cofins. Além disso, deve ser computada a margem da importadora, que pode ser de 10% ou 5%.
Com isso, Molinari calcula que o milho argentino pode chegar a R$ 14,00 à indústria no Paraná. Se a distância da região for maior do que a calculada, deve ser acrescentado o valor do frete, explica. O analista calcula que o milho poderá chegar em São Paulo ou Minas Gerais por até R$ 15,00 a saca. O cálculo da distância também vale para as indústrias avícolas do Oeste e Noroeste do Paraná.
O analista alertou ainda que as tradings só vão importar o milho se as indústrias se comprometerem formalmente com a operação. Ou seja, terão que ficar realmente com o milho importado, mesmo que depois concluam que o volume importado não é mais necessário. As tradings certamente não ficarão com o mico na mão, lembrou.
Molinari alertou ainda para os problemas judiciais que podem ser gerados com a importação do milho. Isso porque a produção de produtos transgênicos está liberada na Argentina e o país já vendeu o milho convencional para a Europa, que não quer comprar o produto transgênico. O que sobrou está misturado, adianta. Se as tradings não comprarem milho da Argentina, certamente não encontrarão problemas em comprar a produção dos Estados Unidos, já que não há problemas de oferta no mundo. Só que nesse caso terão de pagar US$ 4 por saca a mais pelo produto convencional, avisa.


