Avicultores pernambucanos distribuíram 20 mil frangos ontem pela manhã, no Porto do Recife, em protesto contra a proibição do uso de milho transgênico para ração. Eles afirmam que o Estado - maior produtor de aves e ovos do Nordeste e sexto no ranking nacional - não tem estoque do produto e as aves estão morrendo por falta de alimento, enquanto uma carga de 38 mil toneladas de milho transgênico proveniente da Argentina está retida desde o mês passado a bordo do navio Norsul Vitória, que se encontra ao largo do porto.
A retenção foi determinada por decisão da Justiça federal que concedeu liminar a uma ação cautelar impetrada pelo Ministério Público federal depois de denúncia da organização ambientalista internacional Greenpeace sobre a possibilidade de o produto ser transgênico.
A análise do milho trazido pelo Norsul Vitória comprovou a existência de organismos geneticamente modificados, mas a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), a quem cabe decisão sobre os transgênicos em caso de impasse, deu parecer favorável à sua utilização. ‘‘Mesmo assim, dificilmente o milho será descarregado’’, garantiu o procurador do Ministério Público federal, Marcos Costa, um dos impetrantes da ação.
Ele lembrou que além da ação que trata especificamente desta carga de milho, uma sentença judicial da 6ª Vara federal do Distrito Federal determinou que a CTNBio não deve emitir pareceres e condicionou a importação, produção e consumo de qualquer produto modificado geneticamente à autorização dos ministérios da Saúde, Agricultura e Meio Ambiente. O procurador ressaltou a necessidade de mais estudos que comprovem a ausência de prejuízos à natureza e à população e sugeriu que os avicultores processem quem intermediou a importação do milho sabendo que ele era transgênico.
Baseado em estudos internacionais e no parecer da CTNBio Farias afirmou não ter o mínimo receio de consumir milho transgênico. ‘‘Nossos filhos comem frango e se tivéssemos dúvida sobre seu impacto na saúde não o usaríamos’’, observou, sob a total aprovação do vice-presidente da União Brasileira de Avicultores (Ube), Edgar Ximenes, e do engenheiro agrônomo especialista em nutrição animal e professor aposentado da Universidade Federal Fluminense, Alfredo Navarro de Andrade, também presentes ao protesto.

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