O ajuste fiscal anunciado pelo governo vai prejudicar ainda mais a avicultura e provocar recessão, afirmou o diretor superintendente da Associação Paulista de Avicultura (APA), José Carlos Teixeira da Silva. Das medidas anunciadas pelo governo, duas recaem diretamente sobre o setor produtivo: a elevação em 1 ponto percentual da alíquota da Cofins, de 2% para 3% ao mês, e a elevação para 0,38% na CPMF em 1999.
Para Teixeira da Silva, as medidas dificultam as duas metas traçadas pelo setor que são aumento da produtividade e redução do custo de produção. ‘‘Com o aumento desses dois impostos, não há como manter os custos de produção’’, disse. Segundo ele, ainda é cedo para prever elevação no custo de produção, mas ele vai acontecer. Para o diretor superintendente, o problema é que o setor não consegue repassar o custo, pois o cenário interno e externo não é favorável.
‘‘Com a crise interna, a demanda não deve aumentar. Os potenciais importadores do produto brasileiro também estão em crise e estão comprando menos’’, disse.
Levantamento da APA indica que o custo médio de produção está em R$ 0,67 por quilo neste ano. Hoje, em São Paulo, o frango é vendido a R$ 0,68 por quilo vivo. Para o entrevistado, as afirmações de que a crise pode estimular o consumo de bens alimentícios são ‘‘excessivamente otimistas’’. ‘‘Ninguém vai comer mais porque não tem dinheiro para comprar bens duráveis. Ninguém come duas vezes. Pelo contrário, as pessoas vão ficar mais receosas em gastar’’, disse.
Teixeira da Silva disse que a grande questão é saber se o governo vai cumprir as promessas de cortar suas próprias despesas, como prometido. ‘‘Se o país precisa de ajustes, todos devem colaborar’’, finalizou.

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