Avicultura debate biossegurança
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terça-feira, 04 de abril de 2017
Amanda de Santa e Edson Ferreira<br>Reportagem Local 
A biossegurança foi o principal tema do Seminário de Avicultura, realizado nesta terça-feira (4) no recinto Milton Alcover, como parte da programação técnica da ExpoLondrina 2017, sob a coordenação da Emater. Com aproximadamente 350 pessoas, entre criadores e empresários, o seminário analisou os impactos para o mercado consumidor internacional da Operação Carne Fraca, da Polícia Federal (PF), e alertou sobre outra grave ameaça ao setor avícola: a influenza.
Segundo o médico veterinário e auditor fiscal do Ministério da Agricultura e Abastecimento (Mapa), Ivori Menegazzo, o Paraná, que possui cerca de 32 mil estabelecimentos ligados à cadeia produtiva de frango, não pode abrir mão de cuidados básicos para evitar a contaminação pelo vírus da gripe, já identificado no México e na Tailândia. Ele chamou a atenção dos criadores para os cuidados de higiene pessoal no trabalho de campo. "Quem está bem próximo das aves deve cuidar da higiene pessoal. Faço esse alerta e peço que vocês levem esse cuidado aos seus empregados, aos colaboradores. Todos devem ter extremo cuidado para evitarmos a influenza", falou Menegazzo. De acordo com o fiscal, 42 países já confirmaram casos da doença, capaz de dizimar granjas inteiras.
A médica veterinária do Departamento Técnico e Econômico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Ariana Weiss Sera, destacou, durante sua palestra, que o Paraná é o estado que mais produz frango no Brasil. "Nos últimos 20 anos, a produção cresceu 471% e a exportação 1.113%", apontou. E esse crescimento se deu graças ao sistema integrado que, apesar de existir há mais de 40 anos, até o ano passado não tinha base legal nem segurança jurídica para o produtor e a indústria."
A Lei da Integração (13.288/2016) representa o marco legal do sistema. A legislação foi discutida com todos os representantes da cadeia produtiva. Ela dispõe sobre os contratos de integração, obrigações e responsabilidades nas relações entre produtores integrados e integradores. A veterinária afirmou que essa relação se caracteriza pela "conjugação de recursos e esforços pela distribuição justa dos resultados".
"A avicultura cresceu economicamente, tecnicamente, tecnologicamente, mas perdeu a essência, que é a integração, a ajuda mútua em benefício da cadeia", enfatizou Ariana. Ela disse que os produtores, de maneira geral, estão descontentes com a remuneração, consideram o ambiente de negociação ruim, reclamam da falta de diálogo e transparência. Para que a avicultura continue crescendo é necessário que produtores e indústria trabalhem juntos pela sustentabilidade, viabilidade econômica e qualidade do produto final.
A médica veterinária e fiscal do Mapa, Lucimar Gonçalves de Souza Silva, falou sobre biossegurança e a relação entre o serviço de inspeção federal e o avicultor. Ela explicou aos produtores como é feita a fiscalização e controle das aves antes de serem abatidas na indústria. "O Paraná só tem 40% dos aviários registrados", lamentou. O registro é importante para aumentar a biosseguridade das propriedades e diminuir os riscos de introdução de doenças na avicultura industrial.
Já a médica veterinária do Emater, Gayza Maria de Paula Iácono, disse que, antes da lei da integração, as integradoras faziam acordos individuais com cada avicultor. A legislação, segundo ela, veio para dar segurança para ambas as partes. Sobre o tema biosseguridade, ela afirmou que é importante que os produtores entendam o que a fiscalização exige quando os frangos chegam à indústria. "A qualidade da matéria-prima sai direto das granjas. Então, a palestra é interessante para eles enxergarem porque se condena uma carcaça ou algum produto é barrado para exportação, por exemplo. Muitas vezes, o manejo inadequado condena toda uma linha de produção", ressaltou.
O seminário contou com apoio da FOLHA.


