Avicultores tentarão resistir à ordem
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quarta-feira, 08 de julho de 1998
Paulo Pegoraro 
Avicultores que ocupam desde terça-feira o frigorífico de Cascavel , do grupo Chapecó, pressionando por sua reativação, foram informados ontem sobre a liminar de reintegração de posse concedida pela Justiça à empresa, mas anunciaram que não cumprirão a ordem. Segundo José Lino Bergamin, presidente da Cooperativa de Produção dos Trabalhadores Rurais do Oeste do Paraná (Cooperoeste), que lidera a ocupação, os avicultores não querem afrontar a Justiça ou entrar em conflito com a Polícia Militar, mas não vamos sair espontaneamente.
O frigorífico - que já abateu cem mil cabeças de frango ao dia - está parado há oito meses em função da crise que envolve o grupo Chapecó, com sede em Santa Catarina e várias indústrias, avaliadas em cerca de R$ 150 milhões, valor inferior às dívidas. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lidera as instituições credoras - inclusive o Banco Mundial - em intervenção branca no grupo. Negociações para a venda das unidades, que passam pelos credores, têm esbarrado em dificuldades para recomposição dos débitos.
A liminar para reintegração de posse foi expedida pelo juiz Paulo Roberto Hapner, da 2ª Vara Cível da Comarca de Cascavel. O major Rubens Lube, que responde pelo comando do 6º BPM, confirmou ontem à tarde ter recebido o documento, mas seu cumprimento tecnicamente não é possível antes de duas semanas. O capitão Oscar Monteiro, que chefia ações preventivas no frigorífico teve discussão áspera com José Lino Bergamin.
O relatório será encaminhado ao Comando do Policiamento do Interior, e a decisão final de cumprir a reintegração pode ser assumida pelo governador. O governo tem apoiado os avicultores, com cestas básicas de alimentos e R$ 192,00 mensais, para que possam pagar pequenas contas. Os débitos maiores são com bancos, nos quais cerca de 450 produtores contraíram financiamento para implantar aviários.


