Outra decisão do encontro que reuniu mais de 200 produtores foi a fixação de um preço mínimo de R$ 0,25. Uma comissão vai negociar a proposta com a indústria
Maringá - O Núcleo dos Sindicatos Rurais do Norte e Noroeste do Paraná (Nurespar) formou ontem uma comissão para estabelecer um preço mínimo de R$ 0,25 por frango e tentar tirar da crise o setor de avicultura de corte no sistema integrado.
A comissão foi formada durante reunião realizada ontem em Astorga (40 km de Maringá) com cerca de 200 produtores de municípios do Norte e Noroeste do Estado. Segundo representantes do Nurespar e da Federação de Agricultura do Estado do Paraná (Faep), se as empresas integradas não aceitarem o novo preço, as entidades pretendem pedir abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).
Objetivo da CPI será o de identificar o setor que está lucrando com o negócio, a exemplo da investigação parlamentar feita em cima da produção de leite. ‘‘Não queremos briga mas precisamos encontrar em definitivo uma saída para os produtores’’, diz o presidente do Nurespar, Guerino Guandalini. O núcleo abriga 38 sindicatos patronais que representam 90 municípios das regiões Norte e Noroeste do Paraná.
Com uma estrutura para 60 mil frangos e na atividade há 23 anos, Guandalini afirma que desde o início do ‘‘plano real’’ o setor produtivo vem sofrendo com a baixa no preço pago pelo frango. Segundo ele, o custo de produção está em média R$ 0,22, mas as integradas pagam em torno de R$ 0,12 por frango, enquanto que o consumidor compra o quilo da carne em torno de R$ R$ 1,25. Guandalini lembra que só o gás - utilizado no aquecimento dos pintainhos - subiu 40% desde janeiro e a energia elétrica 35%.
Guandalini afirma que é a primeira vez que os produtores das duas regiões se reúnem para viabilizar uma saída. ‘‘Sofremos há anos mas nunca nos organizamos para uma conversa franca junto às integradas’’, diz o presidente do Nurespar. Guandalini diz que só em Astorga, 20 produtores desativaram as granjas por falta de condições para suportar a falta de lucro na atividade. Segundo o secretário municipal de Agricultura, José Cláudio Ruziska, existem 400 mil espaços individuais para engorda de frango ociosos no município, cuja produção ativa atual é de 1,9 milhão de aves.
O Paraná responde por 20% da produção de frango de corte do País. Apesar do potencial de consumo - no ano passado foram 30 quilos por habitante - os produtores não conseguem sensibilizar as empresas integradas e nem abatedouros. ‘‘Os produtores de frango são os principais responsáveis pelo plano real e agora precisamos levantar onde está indo o ganho para podermos realmente dividir os lucros’’, diz o produtor Salvador Stéfano que tem 30 mil aves na engorda em Astorga.

mockup