O Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Paraná (Sindiavipar) estima prejuízo de R$ 20 milhões na cadeia produtiva do frango com a paralisação dos fiscais do Ministério da Agricultura. Segundo o presidente da entidade Domingos Martins, essa é a pior fase vivida pelo setor em termos de exportação. ''Foi um acidente de percurso que ocorreu justamente num dos momentos mais vantajosos'', disse Martins referindo-se ao crescimento na demanda externa provocada pela ocorrência da influenza aviária ou gripe do frango.
Durante a última semana, muitos frigoríficos interromperam os abates por falta de espaço para estoque, avicultores aumentaram os gastos com ração, frangos morreram nas granjas por excesso de peso e pintainhos não sobreviveram à dificuldade de tráfego nas fronteiras. Apesar desses problemas, Martins não acredita na possibilidade de elevação no preço do frango que hoje é comercializado a R$ 1,90/kg pelos frigoríficos.
Ontem à tarde, a 1 Vara Federal, em Curitiba, acatou o pedido de liminar impetrado pelo Sindiavipar. Através dele, a juíza-substituta Graziela Soares autorizou veterinários contratados pelos abatedouros a emitir o laudo de sanidade, que é função dos servidores federais. Instrumento semelhante foi conquistado no início da semana pelo Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados no Estado do Paraná (Sindicarnes).
No entanto, o receio de que o produto fosse recusado pelos compradores derrubou o preço da arroba do boi. De acordo com Gustavo Fanaya, economista do Sindicarnes, a queda de 1,7% na cotação não é significativa. ''Prejudicial mesmo é a tendência negativa que ela cria. A hipótese de rejeição da mercadoria pode estimular muitos pecuaristas a oferecer a carne no mercado interno e, consequentemente, derrubar ainda mais seu valor'', explicou Fanaya pouco antes dos fiscais anunciarem a suspensão da greve.
O fim do movimento evitou a interrupção dos abates em algumas empresas a partir da próxima semana. Mais de 60% da carne bovina exportada é destinada para a Europa e, felizmente, o congestionamento no Porto de Paranaguá não atrapalhou o embarque. Além de uma ala específica para produtos refrigerados no local, os exportadores podem também utilizar os serviços do terminal de Ponta do Félix, em Antonina.

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