O avicultor paranaense vai entrar "em choque" mais uma vez este ano quando receber a conta de luz relacionada à sua produção de julho. Com os ajustes da Companhia Paranaense de Energia (Copel) autorizados nos meses de dezembro do ano passado, março e em junho (15,09% autorizado mês passado pela Aneel), o produtor vai pagar mais que o dobro de energia elétrica para manter o aviário funcionando. Os dados levantados pelo Departamento Técnico Econômico (DTE) da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) são alarmantes para o setor como um todo. O salto médio do kilowatt hora (kWh) pago pelo produtor foi de R$ 0,176 em dezembro para R$ 0,34 em julho, um aumento impressionante de 94% nas faturas das propriedades rurais.
Para realizar o estudo, a Faep considerou o modelo de aviário (dark house) mais comumente instalado na região Sudoeste do Paraná, que possui o 4° maior efetivo total de frangos no Estado de acordo com levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O modelo possui 100 metros de comprimento por 12 metros de largura, sistema de pressão negativa e, basicamente, conta com comedouros automáticos, bebedouros tipo Nipple, seis exaustores e nebulização de média pressão, além do painel de controle. Esse aviário consome aproximadamente 2.150 kWh por lote de frango produzido em condições de normalidade.
Portanto, se em dezembro o custo de energia elétrica por lote de aves custava R$ 379,55, este mês este mesmo custo está saltando para R$ 735,16. "É praticamente o dobro do custo da energia elétrica. Se levarmos em conta o custo variável de produção do avicultor, a energia elétrica só perde para a mão de obra. Entre 2008 e 2014, o impacto da energia no custo variável ficava entre 8% e 9%. Em maio, atingiu 12% do total e agora em julho vai chegar em 15% no Estado", explica a médica veterinária do DTE responsável pela pesquisa, Ariana Weiss Sera.
O grande problema é que o aviário não pode ser desligado em nenhum momento do dia - não há como direcionar o consumo -, com gastos de energia tanto em horários de pico como também durante o período noturno com descontos fornecidos pelo Programa Tarifa Rural Noturna, das 21h30 até as 6h. "Neste sentido, o produtor não tem como reduzir o consumo. Uma alternativa seria substituir as lâmpadas comuns por lâmpadas de LED, mas é preciso fazer um estudo de viabilidade dessa troca".

Ave

O estudo realizado pela Faep também avalia o custo variável da energia por ave. Em 2008, ele representava R$ 0,18 por cabeça e, agora, com o último aumento autorizado pela Copel em junho, ela já representará aproximadamente
R$ 0,24, alta 33,3%.

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