Avicultores ocuparão sede do BNDES
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segunda-feira, 16 de fevereiro de 1998
Paulo Pegoraro 
Edson MazzettoÀs moscasUnidade da Chapecó em Cascavel: à espera do BNDES para retomar atividades Cem avicultores do Oeste e Sudoeste paranaense embarcam hoje em ônibus especiais, em Cascavel , com destino ao Rio de Janeiro, prometendo ocupar a sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Eles anunciam que não sairão do local até que o banco apresente uma solução para a crise do grupo Chapecó, com sede em Santa Catarina, que tem dívidas de R$ 300 milhões na região. O BNDES responde pelo controle do frigorífico desde 1996.
O frigorífico do grupo localizado em Cascavel, que já abateu 115 mil frangos/dia, está inativo desde 22 de janeiro, causando enormes prejuízos aos avicultores, integrados no esquema de fornecimento de frangos. Em Amparo (SP) também está paralisado o frigorífico que abatia 60 mil cabeças/dia, e continua apenas em operação o frigorífico localizado em Xaxim (SC), que abate 240 mil cabeças/dia, mas os pagamentos aos avicultores são feitos com atraso.
Em Chapecó (SC), um frigorífico de suínos, para 4 mil cabeças, só está abatendo 2,5 mil. O relato é feito por José Lino Bergamin, de Capitão Leônidas Marques, presidente da Associação dos Avicultores do Oeste e do Sudoeste do Paraná (Avios), que organiza a ocupação da sede do BNDES, com apoio de sindicatos e prefeituras, que, juntamente com a Secretaria Estadual de Agricultura, aceitaram pagar o transporte dos produtores até o Rio de Janeiro.
Segundo José Lino Bergamin, a situação é de absoluto desespero. A paralisação do abate em Cascavel resulta no fechamento de 590 aviários, implantados (com financiamento) por 486 produtores, que não podem quitar dívidas nos bancos, e perdem a fonte de renda. Na indústria, que já teve mais de mil trabalhadores, os quatrocentos que restaram estão em férias coletivas. Bergamin relata que, nos três estados, 60 mil pessoas dependem direta ou indiretamente da Chapecó.
O presidente do BNDES, Luiz Carlos Mendonça de Barros, é desde 96 presidente do Conselho de Administração do grupo, intervenção que deveria tirá-lo da crise, depois que o banco investiu nele R$ 45 milhões - o Bozzano Simonsen investiu mais R$ 20 milhões, e o Banco do Brasil é credor da mesma quantia que o BNDES. As indústrias da Chapecó têm valor estimado em R$ 150 milhões, metade da soma dos débitos.
O grupo argentino Macri manifestou há quatro meses interesse em assumir o controle da Chapecó, pagando o valor estimado e assumindo as dívidas, e havia a expectativa de que isso ocorresse em janeiro. O BNDES nos garantiu que isso ocorreria, depois de passarmos dois anos de espera, comenta Bergamin. Segundo ele, até agora só houve enrolação, por isso restou a alternativa única de forçar um posicionamento do banco, ocupando sua sede.


