Produtores que forneciam frangos para o frigorífico de Cascavel do grupo catarinense Chapecó ingressaram ontem à tarde com ação judicial pedindo indenização por lucro cessante e danos morais. A ação é subscrita por dez avicultores (outros irão a Justiça na sequência), que se classificam como ‘‘vítimas da Chapecó’’. Eles firmaram contrato de parceria com a empresa - envolvida em crise financeira há 3 anos - para fornecer-lhe frangos com exclusividade, e foram obrigados a contrair financiamentos bancários para implantar os aviários, que acabaram desativados em novembro do ano passado, com a interrupção dos abates.
A situação envolve 450 produtores, ‘‘para os quais a atividade era a principal fonte de renda, e que hoje estão em situação de penúria’’, afirma José Lino Bergamin, presidente da Associação Regional dos Avicultores do Oeste e Sudoeste do Paraná (Avios). Os advogados Antônio Linares, Sérgio Tinoco e Paulo Reneu Santos, que se dispuseram a atuar através da Assistência Judiciária Gratuita na ação formalizada ontem, estabeleceram em R$ 10.127,04 o montante que cada um dos avicultores deixou de receber a partir da paralisação de atividades do frigorífico, e este é o valor da indenização individual pretendida, por lucro cessante.
Paralelamente, os advogados querem que a Justiça arbitre o valor de indenização por danos morais, porque os avicultores estão submetidos ‘‘à situações vexatórias’’, acumulando dívidas nos bancos, o que resulta em ‘‘abalo de crédito’’, e também no próprio comércio. Segundo José Lino Bergamin, os comerciantes forneciam ‘‘fiado’’, mas não tiveram como manter isso durante tanto tempo, e os avicultores ‘‘sentem vergonha por não poder pagá-los, simplesmente porque não têm trabalho’’. Um grupo representante dos produtores ocupa desde o mês de julho as instalações da Chapecó, depois de ter realizado greve de fome no centro da cidade.Edson MazzettoIndenizaçãoJosé Bergamin, com cópia da ação: indenização por lucro cessante e danos moraisPaulo Pegoraro

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