O frango, considerada proteína animal preferencial pelos brasileiros devido ao baixo preço, está em um período de retomada de preços. O quilo da ave viva encerrou o ano passado com preço de R$ 1,54 ante uma média de R$ 1,50 registrada em abril, segundo pesquisa feita pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento. O consumo sustentado no mercado interno, o aumento das exportações e a valorização dos insumos (principalmente da soja e do milho utilizados como ração animal) têm contribuído para a sustentação dos preços.
O presidente do Sindicato das Indústrias Avícolas do Paraná (Sindiavipar), Domingos Martins, comenta que os preços começaram a cair em novembro do ano passado no mercado interno. ''São situações pontuais devido às férias escolares. Também enfrentamos concorrência com as outras carnes devido às festas de final de ano e às férias'', observa. Segundo ele, anualmente ocorre esta variação de preços porque os produtores não reduzem as criações oferecendo ao mercado uma maior quantidade de carne, uma vez que no final do ano os portos no Hemisfério Norte fecham devido ao frio interrompendo as exportações.
Mesmo com a queda de preços registrada no final do ano, o quilo da ave no varejo paranaense subiu entre 21% e 25% em 2007 na comparação com 2006, de acordo com o Deral. No caso das exportações, Martins informa que, entre março e abril, os produtores brasileiros reajustaram os preços em dólar das aves para neutralizar a valorização do real. ''Em alguns cortes os aumentos foram de mais de 50%. Isso foi feito para equilibrar a defasagem cambial e, mesmo assim, conseguimos manter as exportações'', explica. Já os bons níveis de preços no mercado interno se devem também à forma de criação adotada no Estado: a integração.
O sistema é apontado como responsável pela manutenção dos níveis de remuneração dos custos fixos e de parte dos custos variáveis. Isso ocorre porque as criações, em sua maioria, utilizam mão-de-obra familiar enquanto o custo com pintinhos, rações e transporte é arcado pelas empresas. Na avaliação de Roberto Andrade Silva, veterinário do Deral, os mercados das carnes bovina e de frango têm correlações. ''Se o preço da carne de boi sobe os consumidores migram para o frango, que é mais barato'', observa Silva. Para Domingos Martins, atualmente, as aves chegam a ditar as regras do mercado protéico. ''Quando o frango está barato puxa para baixo também o preço do boi porque o consumo cai'', avalia Martins.(F.M.)

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