Avicultores que forneciam frangos para o frigorífico de Cascavel do grupo Chapecó (de Santa Catarina) decidiram ocupar suas instalações na próxima terça-feira, como nova forma de pressão para que a indústria seja reativada. O frigorífico está parado há quatro meses e, com isso, os produtores que trabalhavam pelo sistema de integração deixaram de fornecer diariamente cerca de 100 mil cabeças de frangos.
Unidades do grupo Chapecó (que mergulhou em crise há cerca de três anos), estão sob controle do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que lidera grupo de instituições bancárias credoras da maior parte das dívidas, de mais de R$ 300 milhões. Algumas empresas, entre elas a Macri, da Argentina, chegaram a manifestar interesse em adquirir as indústrias, mas as negociações não prosperaram.
A mobilização dos produtores é liderada pela Associação dos Avicultores do Oeste e Sudoeste do Paraná (Avios), que congrega 580 fornecedores. Eles contraíram dívidas para implantar os aviários, devem em bancos e estão sem a principal (para muitos, única) fonte de renda. Em março, a Avios levou cerca de 150 associados ao Rio de Janeiro, para protesto na sede do BNDES, acusado de não viabilizar a venda.
O banco é acusado de ao mesmo tempo não criar condições para reativação das indústrias. ‘‘Não resta outra alternativa a não ser ocupar o frigorífico, como forma de pressão’’, afirma o presidente da Avios, José Lino Bergamin, de Capitão Leônidas Marques. A decisão foi tomada na noite de anteontem, em uma reunião no bairro Floresta, de Cascavel, onde mora a maioria dos 294 funcionários do frigorífico, dos quais a Avios queria apoio para a ocupação.

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