Avicultores devem assumir frigorífico em Cascavel
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sexta-feira, 26 de setembro de 1997
Paulo Pegoraro Cascavel 
A crise financeira do grupo Chapecó, sediado em Santa Catarina, atinge diretamente o frigorífico da empresa em Cascavel, que reduziu o abate, causando preocupação em vários municípios do Oeste. Os produtores investiram em aviários integrados, assumindo dívidas bancárias, e não têm como pagá-las, além de serem obrigados a reduzir a produção.
A situação foi avaliada em encontro ontem na Prefeitura de Cascavel, com participação de avicultores, secretários municipais, vereadores, cinco prefeitos e os deputados estaduais Edgar Bueno (PDT), Caíto Quintana (PMDB) e Nereu Moura (PMDB). Uma comissão vai buscar esclarecimento junto à direção da Chapecó.
Segundo o secretário de Indústria e Comércio de Cascavel, o governo do Paraná e o Banestado já deixaram claro que não têm como socorrer diretamente a empresa. Por isso, o prefeito Salazar Barreiros (PPB), sugeriu que os avicultores associem capitais, que seriam obtidos em empréstimos bancários, e tentem negociar com a Chapecó para assumir a operação do frigorífico, até que a empresa decida sua reativação total ou venda.
O grupo Chapecó, que tem mais três unidades em Santa Catarina e uma em São Paulo, enfrenta crise financeira que se aprofundou há um ano, com dívidas que chegariam a R$ 200 milhões, sobre as quais a direção evita dar informações.
Um empréstimo bancário, de R$ 32 milhões, liberado há poucos meses, não foi suficiente para contornar a crise. O grupo está sob intervenção branca do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.
A empresa precisaria de mais R$ 18,5 milhões para formação de capital de giro, dos quais R$ 6 milhões permitiriam voltar a adquirir frangos em Cascavel em maior volume. O abate no frigorífico, que já chegou a 105 mil frangos ao dia, foi reduzido para 50 mil. Vários municípios da região sentem os reflexos econômicos, pois a avicultura foi expandida, com apoio das prefeituras e estimulada por programas de integração desenvolvido pela Chapecó.
Segundo o presidente da Associação dos Avicultores do Oeste e Sudoeste do Paraná, José Lino Bergamin, 586 produtores firmaram compromisso de integração para fornecer frangos, e para isso financiaram aviários, ao custo de R$ 31 mil cada um. Com a crise da Chapecó, a maior parte dos aviários está inativa, e os produtores não sabem o que fazer com eles e não têm como pagar financiamento que fizeram para construí-los, diz José Lino Bergamin.


