Avicultores da Chapecó pedem definição
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quinta-feira, 01 de janeiro de 1998
Vânia Casado Curitiba 
Os avicultores integrados do frigorífico Chapecó em Cascavel no Paraná e em Santa Catarina querem a retomada imediata dos alojamentos de pintainhos, assim que o novo controlador da empresa, o grupo Macri, da Argentina, assumir o comando do frigorífico. Os alojamentos, que fornecem a matéria prima para os avicultores estão desativados desde o último dia 13 e os avicultores estão desesperados com a indefinição do quadro, informou José Lino Bergamini, presidente da Associação de Produtores de Frango do Paraná.
O prazo máximo que os avicultores esperam para uma definição sobre a retomada das atividades do frigorífico expira no dia 7. A partir do dia 8 os avicultores do Paraná e Santa Catarina vão realizar assembléia geral para decidir como vão proceder. No Paraná, 240 aviários já estão desativados e outros 340 vinham operando com 50% da capacidade até a paralisação total no dia 13. Caso não haja uma solução favorável, Bergamini antecipou que esses avicultores ainda com terra irão engrossar o movimento dos sem terra, já que eles não terão como sobreviver com outra exploração numa área mínima de 2 hectares, como permite a avicultura.
Bergamini criticou a administração dos bancos credores que assumiu o controle do frigorífico desde abril, que agravou a crise financeira da empresa. Como líder dos avicultores integrados, o produtor afirmou que tem participado de todas as negociações envolvendo o saneamento financeiro do frigorífico. Segundo Bergamini, as dificuldades financeiras são resultado de um acúmulo de prejuízos dos últimos três anos. A família De Ness, maior acionista chegou a investir R$ 80 milhões para na unidade de Chapecó, em Santa Catarina, para adaptar a unidade de suínos às exigências do mercado internacional, para ampliar as exportações. Mas a diferença cambial no início do plano Real prejudicou a rentabilidade que estava sendo esperada para cobrir os investimentos.
Depois disso, em 1996, os prejuízos foram ampliados com a alta no preço do milho, enquanto o frango era colocado no mercado a menos de R$ 0,90 o quilo. Quando os bancos credores, liderados pelo BNDES, assumiu a administração financeira em abril, a crise acirrou de vez e as dívidas ficaram incontroláveis, destacou Bergamini. Segundo ele os bancos Bozzano Simonsen, Banco do Brasil, BNDES e IFC (braço financeiro do Banco Mundial) não foram capazes de reverter a situação. As dívidas somam R$ 300 milhões e os bancos não foram capazes de reduzí-las, disparou.
Bergamini está inconformado com a paralisação dos pagamentos aos produtores. Segundo ele, os avicultores em Santa Catarina ficaram até 170 dias de intervalo entre os alojamentos que correspondeu a 110 dias sem nenhum tipo de pagamento. No Paraná o intervalo do alojamento nos últimos meses era de 72 dias, enquanto o normal seria de 12 dias e o avicultor recebia somente com 45 dias após a entrega dos lotes.


