Avicultores contra leilão de milho
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quarta-feira, 27 de novembro de 2002
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
Representantes da indústria paranaense do frango estão preocupados com os leilões que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) realizará, no início de dezembro, para aquisição de 150 mil toneladas de milho. O setor teme que a entrada de um grande comprador no mercado eleve o preço do produto e diminua a oferta no Estado. Para tentar destimular a operação, avicultores enviarão correspondência ao ministro da Agricultura, Marcus Vinícius Pratini de Moraes.
O objetivo dos leilões é diminuir o desabastecimento nas regiões Norte e Nordeste, no Espírito Santo, no Rio de Janeiro, na Zona da Mata e no Norte de Minas Gerais. O governo federal tem em estoque cerca de 200 mil toneladas de milho. O grão comprado pela Conab abastecerá pequenos avicultores independentes desses locais.
Domingos Martins, presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Paraná (Sindiavipar), comentou que a Conab pretende adquirir 90 mil toneladas de milho no Estado. Segundo ele, o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab) relatou que o estoque do Estado é de 700 mil toneladas, volume que seria suficiente para atender as necessidades da avicultura até a entrada da safra em fevereiro. ''O governo vai tirar milho que fará falta'', criticou.
A solução, para a Avipar, é importar milho para ajudar os Estados carentes. Martins informou que a saca do produto importado sai por R$ 31,00, enquanto a saca do produto nacional custa R$ 25,00. ''Acrescentando o valor do frete, o preço empata'', considerou Martins.
O Sindiavipar está orientando os associados a reduzirem os alojamentos de pintinhos até a entrada da próxima safra. O objetivo é diminuir o risco de faltar ração para os frangos. O presidente do sindicato disse que a medida não causará desemprego, mas reduzirá o faturamento das indústrias justamente na época do pagamento do 13º salário.
A escassez de milho no Paraná foi causada pela redução na safra 2001/2002, informou a engenheira agrônoma Vera da Rocha Zardo, do Deral. Neste ano, o Estado colheu 9,5 milhões de toneladas, frente aos 12,6 milhões de toneladas do ano anterior. Na primeira safra de 2001/2002, a área reduziu 21%. ''O produtor optou pela soja'', comentou. Outro fator que influenciou a redução da oferta foi a quebra de 40% na safrinha deste ano.
Segundo levantamento da instituição, a demanda paranaense é de 11,2 milhões de toneladas de milho, incluindo as parcelas utilizadas pela pecuária, indústria e exportação para outros estados e exterior.
Preço do frango - No Paraná, na semana passada, o preço médio do quilo do frango vivo ao produtor ficou em R$ 1,12, valor 9,8% acima do verificado no mês de setembro. No atacado, o preço médio do quilo resfriado ficou em R$ 2,06 em outubro, superando em 12,6 % a média estadual observada em setembro. No varejo, no mesmo período, o preço médio do frango resfriado subiu 8,8%, com o quilo cotado a R$ 2,22 no último mês.


