O Ministério da Aeronáutica informou ontem, em nota oficial, que a provável causa da queda do avião Bandeirante da Força Aérea Brasileira (FAB), domingo, foi a colisão com outro Bandeirante, que participava da mesma missão militar, nas proximidades da cidade de Caruaru, a 140 quilômetros do Recife. Nove tripulantes do avião, todos militares, morreram no acidente. Somente dentro de 60 dias será concluído o inquérito que investiga as causas do acidente.
O avião, pertencente ao 2º Esquadrão do 7º Grupo de Aviação, sediado na Base Aérea de Florianópolis (SC), saiu de Salvador em direção a Natal em missão operacional, ao lado de três outros Bandeirante, quando perdeu altura e bateu no solo. A FAB acredita que tenha ocorrido um choque entre aviões por causa dos depoimentos de testemunhas. O Ministério da Aeronáutica alerta para o fato de que esses dados não são conclusivos, não apontando ainda os fatores que contribuíram para o acidente. As investigações já foram iniciadas por oficiais do II Comando Aéreo Regional (Comar).
Embora relate o depoimento de testemunhas, o ministério diz na nota que ‘‘todo e qualquer juízo formulado sobre as causas, no momento, é precipitado e não contribui para a seriedade do trabalho de investigação’’. Este tipo de avião é utilizado para patrulhamento marítimo, segundo a FAB.
A Aeronáutica divulgou a relação dos cinco oficiais, dois suboficiais e dois sargentos que morreram no acidente. São eles: tenente-coronel Luiz Fernando de Mendonça Neves, 1º tenente Fernando Aikawa, 1º tenente Marcos Thomas Somensi, 1º tenente Álvaro Aunar Alkmin Dutra, 2º tenente João Marcelo Cersósimo Batista, suboficial Carlos Henrique Jardim Rocha, suboficial Edson Luiz Franklin Silva, 1º sargente Paulo Ricardo Steck e 1º sargento Roberto Tadeu Kawka.
A queda do Tucano T-27 durante exibição sábado na praia do Itararé, em São Vicente, litoral sul de São Paulo, foi o 11º acidente na história da Esquadrilha da Fumaça e o primeiro no qual um piloto se salvou. O capitão Renato de Castro Barreto Filho, 31 anos, está em observação no Hospital da Academia da FAB em Pirassununga, se recuperando da fratura de duas vértebras sofrida ao se ejetar do avião. Ainda não há previsão de alta.
Segundo o capitão Ricardo Magno Silva Rosa, oficial de comunicação social da FAB, o piloto passará por uma bateria de exames que indicarão se ele poderá voltar a voar. ‘‘A expectativa é positiva’’, disse ontem Silva Rosa. A observação médica é necessária porque o processo de ejetar-se da aeronave é considerado agressivo e pode trazer sequelas graves, como a paraplegia, pois o esforço da coluna no momento da saída do avião é muito grande.
Para o capitão Rosa Silva não houve falha humana e sim estrutural, a ser apurada pela Seção de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, que tem 30 dias para apresentar um relatório preliminar e 90 dias para o relatório final. A forma como ocorreu o acidente - a asa se desprendendo do avião - é inédita, segundo o capitão Magno.

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