Aviação será popularizada em 5 anos
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domingo, 01 de abril de 2001
Vânia CasadoDe Curitiba 
Entre as 22 empresas de aviação civil regulares que já atuam no País, e oito não regulares já estão participando deste mercado, tendem a se transformar em transporte de massa no período máximo de cinco anos. A previsão é do brigadeiro do Ar, Carlos Alberto Fagundes, chefe do subdepartamento de Planejamento do Departamento de Aviação Civil (DAC).
O brigadeiro esteve na semana passada em Curitiba, proferindo palestra sobre a criação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e os novos rumos da aviação civil brasileira para a turma de Ciências Aeronáuticas da Universidade Tuiuti do Paraná.
O representante do DAC reconhece que as empresas constituídas regularmente têm servido a poucos usuários, mas lembra que o mercado está em crescimento e tende a ampliar ainda mais com a concorrência provocada pela entrada de novas linhas aéreas não regulares. No ano passado foram transportadas no País 68 milhões de pessoas. Um crescimento de 13% sobre a movimentação do ano anterior. Mesmo assim, esse volume é pequeno se for comparado com o mercado da viação aérea dos Estados Unidos onde 600 milhões de pessoas são transportadas anualmente, disse o brigadeiro Fagundes. Ele calcula que pelo menos mais 48 milhões de pessoas no Brasil que ainda viajam de ônibus, poderiam viajar de avião, caso as condições fossem mais favoráveis.
FolhaComo vai funcionar a Anac?
FagundesA flexibilização do mercado de transporte aéreo terá como órgão regulador a Agência Nacional de Aviação Civil, que pretende liberar ainda mais o mercado e facilitar a entrada de mais empresas. A Anac terá autonomia e vai atuar em todo o sistema de aviação no que se refere a taxas, preços e suplementação tarifária. Nas linhas que tiver concorrência a tendência da Anac é isentar as empresas não regulares do pagamento de algumas taxas e cotas nas tarifas aeroportuárias. Se for empresas regulares com horários permanentes, essas vão pagar as tarifas normais.
FolhaComo a Anac pretende estimular as empresas a investir no transporte aéreo?
FagundesO DAC quer desmistificar a idéia que formar empresas aéreas é dantesco. O capital mínimo exigido é de R$ 100 mil e a empresa tem que oferecer serviços com segurança e qualidade. A parte técnica é a mais relevante porque diz respeito à segurança das operações. A partir daí o grupo empresarial é que estrutura os investimentos conforme o mercado que pretende atuar.
FolhaQuais os segmentos que podem ser melhor explorados pelos empresários?
FagundesO mercado de transporte de cargas oferece um excelente nicho de mercado principalmente nas linhas internacionais, porque estamos comprando os produtos lá fora e estamos pagando para que nos entreguem aqui. Uma das rotas consideradas milionárias é o transporte de cargas de Miami (EUA) para Campinas (SP). São US$ 500 milhões por ano que saem daqui para fora em pagamento ao transporte aéreo de cargas. Portanto quem quiser investir nesse setor, trata-se de um bom negócio, cujo mercado cresce em média 17% ao ano.
FolhaComo fica a preocupação com a segurança de vôo, depois da Anac entrar em operação?
FagundesA preocupação do DAC é repassar à Anac o zelo com a segurança de vôo. O Brasil é um dos países que apresenta elevado índice de segurança e a missão da agência é não descuidar deste item. Para garantir a segurança, o DAC está investindo US$ 112 milhões para revitalização dos radares em operações do Nordeste.
FolhaQuais as novidades para o Paraná com a abertura de novas empresas?
FagundesNossa expectativa para o Estado é o fortalecimento do transporte de cargas aérea. O Paraná está se tornando importante pólo industrial. O Estado está atraindo muitas empresas e isto aumenta a necessidade de transporte de cargas e equipamentos. Eu acho que esse segmento precisa de investimentos do empresariado. O empresário interessado pode nos procurar que temos o maior interesse em orientar a abertura de novas empresas.
FolhaE na ligação de Curitiba com as cidades do Interior?
FagundesNós estamos esperançosos porque vários aeroportos do Interior estão sendo alavancados, como é o caso dos aeroportos de Maringá e Londrina. Agora estamos dando importância ao transporte regional através de uma nova política de suplementação tarifária para estimular o segmento e também permitindo que táxis aéreos façam a ligação sistemática com o Interior. Temos também algumas empresas, cujos processos no DAC estão em andamento e que vão começar a prestar serviços brevemente.
FolhaPara quando o sr. prevê a massificação do transporte aéreo de passageiros no País?
FagundesNós acreditamos que após a criação da Anac, e o surgimento de cursos e universidades sobre navegação aérea no País, vai aumentar a competência dos recursos humanos que vão trabalhar com aviação civil no País, a gente vai chegar ao patamar de fazer o transporte de massa. Trata-se de um insumo fundamental para atingir o patamar necessário para fazer o transporte de massa. Eu acredito que isso vai ocorrer num prazo de cinco anos, quando teremos retorno excelente dos investimentos, oferecendo grande quantidade de serviços aos usuários.
FolhaQual a previsão de investimentos para isso?
FagundesA Anac não trabalha no segmento específico do empresariado, que é o de captação de recursos. Estimulamos o ingresso dos empresários, cabe a eles fazer o levantamento. Aí entra a criatividade do empresariado no sentido de buscar a maior eficácia de seus recursos para ingressar nessa atividade, que é rentável sim. Antigamente era necessário que o empresário adquirisse as aeronaves. Hoje já é possível adquirí-las através de leasing que facilita a aquisição ou devolução das aeronaves. A orientação é que o empresário busque auxílio das pessoas especializadas que existem no mercado


