Imagem ilustrativa da imagem Aviação regional recua e fica no sonho
| Foto: Marcos Zanutto/15-07-2016
Maioria dos cortes em voos foi feita por falta de viabilidade financeira



São Paulo - "A aviação brasileira está diminuindo", resume o presidente da Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear), Eduardo Sanovicz. O motivo, explica, é que o setor sofreu um choque de custos ao mesmo tempo em que a demanda caiu. "Diversos voos não se viabilizam mais. A solução foi cortar." Nove cidades brasileiras saíram da malha das grandes empresas desde 2015. Algumas ainda têm voos de empresas pequenas, que representam menos de 1% do mercado.
Os cortes são nacionais. No caso da capitais, há redução de frequências de voos, mas as empresas áreas mantêm o serviço. No interior, as empresas abandonaram algumas praças, reduzindo a concorrência ou deixando a cidade sem oferta de transporte aéreo.
No Paraná, depois de Londrina perder voos da Latam com destino a Curitiba e para o aeroporto de Guarulhos (SP), a Gol anunciou que vai retomar, em setembro, a rota Londrina-Curitiba, com a frequência de quatro voos semanais diretos. A Gol também vai retomar voos para Curitiba partindo de Maringá e partindo de Foz do Iguaçu. Em média, o número de decolagens de TAM, Gol, Azul e Avianca caiu 10% no primeiro semestre deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com registros da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

AJUSTES
A Azul é a única empresa entre as grandes que têm uma frota específica para a aviação regional - o turboélice ATR. A empresa voa hoje para cerca de 100 destinos e atua sozinha em cerca de 40 cidades. Nos últimos meses, no entanto, a Azul suspendeu voos no interior e se desfez de 18 ATRs. Foram 11 destinos cancelados, incluindo apenas uma capital, desde 2015. "A aviação regional perdeu muitos voos porque não se fez nada para melhorar os aeroportos e reduzir o preço do combustível", afirma o presidente da Azul, Antonoaldo Neves.
A maioria dos cortes foi feita por falta de viabilidade financeira. Mas a infraestrutura falha também pesou. Mas, para Neves, o maior problema é o preço do combustível. O querosene de aviação (QAV) no Brasil já é mais caro do que no exterior, mas no interior os valores são ainda maiores do que nas capitais. Como 37% do custo de um voo é composto pelo combustível, a mesma distância pode custar o dobro se o voo partir de cidades do interior. Para ser viável, o preço da passagem teria de ser muito superior e não cabe no bolso do passageiro.

MENOS AVIÕES
A redução de voos para o interior reflete o que ocorre na malha aérea como um todo, explica Alberto Fajerman, diretor de relações institucionais da Gol. Ao todo, a empresa projeta um corte de até 18% nos voos nacionais em 2016. Na maioria das cidades, há redução de frequências.
A Latam também fechou bases no interior e colocou na gaveta planos de montar uma frota para voos regionais. Segundo a presidente da Latam Brasil, Claudia Sender, a empresa ainda acredita que o crescimento do tráfego aéreo virá das cidades médias e tem interesse em novos destinos regionais.
Para reverter o quadro, as empresas defendem uma desoneração de custos, em especial do QAV. A Abear estima que um teto para a alíquota do ICMS, em discussão no Senado, viabilizaria a criação de 200 voos em um ano.

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