São Paulo O Congresso Nacional de Tecnologia Aeroagrícola (Contaero), que começa hoje em Botucatu com a presença do ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, é o termômetro da aviação agrícola no País e reunirá 35 empresas, com previsão de negócios de US$ 5 milhões. Está confirmada a participação de quatro fabricantes estrangeiros. Domingo, no encerramento do Contaero, cerca de 50 aviões devem sobrevoar a cidade, no interior de São Paulo.
O boom do agronegócio brasileiro tem impulsionado este setor. Segundo o Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag, organizadora do Contaero), o segmento movimenta, por ano, R$ 250 milhões entre comercialização de peças e equipamentos, treinamento de pilotos e aluguel de aeronaves por produtores que não possuem o equipamento. A frota brasileira, atualmente com 900 unidades, deverá aumentar 10% nos próximos 12 meses. ''É um resultado extraordinário. Nos últimos anos, o aumento médio anual vinha sendo de entre 2% e 3%'', afirma Eduardo Araújo, diretor técnico do Sindag.
A Neiva, subsidiária da Embraer que fabrica, em Botucatu, o avião agrícola EMB 202 Ipanema, já contabiliza 50 pedidos do modelo em 2003, um acréscimo de 58% em relação às vendas de 2002 e de mais de 100% em relação às projeções iniciais para este ano. Além destes, há mais 12 opções de venda acertadas. Somando-se os pedidos firmes e as opções de vendas, o valor total das vendas pode chegar a US$ 13,64 milhões. Cada aeronave custa US$ 220 mil ou cerca de R$ 629 mil pela cotação do dólar de hoje (25).
Sozinho, o Ipanema corresponde a 80% da frota brasileira de aviões agrícolas. E, embora não tenha concorrentes no mercado doméstico por ser o único modelo fabricado no País - o que significa que possui boa parte dos custos em reais e, portanto, preços mais competitivos -, tem se modernizado para manter a liderança. Em outubro do ano passado, a Neiva apresentou uma versão a álcool hidratado, o mesmo usado nos carros. A nova versão está em fase final de homologação. Segundo a Embraer, apesar de ainda não estar sendo fabricado, 80% das vendas de Ipanema realizadas este ano prevêem a conversão dos motores originais, a gasolina, para álcool.

mockup