São Paulo - O dólar sustentou-se em alta no mercado à vista e ultrapassou os R$ 2 pela primeira vez desde agosto do ano passado, reagindo ao aumento da aversão ao risco nos mercados. Em meio à piora do cenário econômico global, os investidores reduziram posições em commodities e ações e elevaram as expectativas de redução em breve nos juros pelo Fed e BCE, que ontem manteve a taxa básica em 4,25%. A espera pelos dados do payroll de setembro nos EUA e pela votação na Câmara amanhã do pacote revisado de socorro o setor financeiro norte-americano, aprovado anteontem à noite pelo Senado, levou as bolsas norte-americanas a amargarem fortes perdas.
  A Bovespa foi contaminada e caiu 9,41% no pior momento, antes de encerrar em baixa de 7,34%. Participantes do mercado disseram que parte dessa baixa pode ter refletido liquidações compulsórias de posições a termo de clientes pessoa física que não têm conseguido cobrir margens adicionais exigidas pelas corretoras. Os juros futuros interromperam a trajetória recente de queda e subiram com volume expressivo de negócios.
Câmbio
  O aumento da aversão ao risco nos mercados levou o dólar à vista a superar os R$ 2,00 pela primeira vez desde 29 de agosto de 2007 e a fechar no balcão na maior cotação desde 21 de agosto do ano passado, quando encerrou a R$ 2,034, segundo levantamento do AE Taxas. Ontem, o pronto no balcão fechou com ganho de 5,37%, a R$ 2,021; e na BM&F, com alta de 5,48%, a R$ 2,03. Um forte movimento especulativo de compra de dólar amparou as cotações à vista e no mercado futuro da BM&F.
  Segundo um operador, a moeda norte-americana seguiu pressionada ante o euro e o real, por causa do temor de uma recessão profunda nos EUA, da forte desaceleração da economia européia, da expectativa por dados ruins do mercado de trabalho norte-americano (payroll) de setembro hoje e das incertezas sobre a aprovação, também hoje, pela Câmara do pacote revisado de socorro ao setor financeiro norte-americano, votado anteontem à noite pelo Senado.
  O avanço da moeda norte-americana tirou força das commodities. A maior demanda pelo dólar amparou ainda um aumento de 87% no giro financeiro total à vista, que somou cerca de US$ 3,4 bilhões (US$ 3,1 bilhões em D+2). No mercado de dólar futuro da BM&F, o reforço na posição comprada assegurou a elevação das taxas projetadas nos seis vencimentos negociados. O dólar novembro08, que girou cerca de US$ 20,295 bilhões do total de US$ 20,973 bilhões registrado até às 16h18, apontou valorização de 5,01%, a R$ 2,035.
  ‘‘A aposta no avanço do dólar no curto prazo está refletindo muito mais um movimento especulativo motivado pela deterioração do ambiente financeiro externo do que pelos fundamentos da economia brasileira’’, afirmou o economista e professor de Finanças da FIA, José Carlos Luxo. Para ele, as condições econômicas no Brasil são favoráveis, apesar da previsão de desaceleração do crescimento do País por causa da crise externa, e as reservas internacionais brasileiras seguem fortes, acima de US$ 200 bilhões (anteontem somavam US$ 206,886 Bilhões).

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