Um dos termômetros utilizados para medir o aquecimento do e-commerce brasileiro, os dados logísticos apontam um setor em forte ritmo de expansão nos primeiros seis meses de 2026, com o Paraná figurando entre os cinco estados que mais enviam encomendas e entre os três que mais cresceram nas vendas on-line no ano.

Os dados estão reunidos na quinta edição do Mapa da Logística elaborado pela Loggi, empresa que atua no setor.

Segundo o levantamento, o ranking de maior quantidade de pacotes por origem é liderado por São Paulo, seguido por Santa Catarina, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Paraná.

Mas quando sai de foco o volume absoluto e se observa a velocidade de evolução, o Paraná sobe no ranking nacional. Entre janeiro e junho, Santa Catarina foi o estado que mais cresceu em envio de encomendas, com variação de 24% sobre igual período de 2025. Em seguida estão Rio Grande do Sul (+23%) e Paraná (+17%). Completam a lista das cinco unidades da federação que mais avançaram nesse aspecto o Distrito Federal (+10%) e o Ceará (+4%).

O destino dos envios mantém uma forte concentração nos estados mais populosos do país. São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná estão entre os principais mercados consumidores.

A empresa que realizou o levantamento avalia que a evolução da logística brasileira é resultado da combinação entre tecnologia, expansão da infraestrutura, novos modelos operacionais e maior acesso de empresas de todos os portes a soluções logísticas mais eficientes.

A Loggi destacou como fatores relevantes para a expansão do e-commerce no país as mudanças estruturais do setor logístico, que possibilitaram maior agilidade nas operações e maior capilaridade, chegando aos consumidores de diferentes regiões brasileiras.

Essa análise é corroborada pelos dados do estudo que mostram que a expansão da cobertura, a evolução dos prazos de entrega, o fortalecimento do modelo de PUDOs (Pick and Drop off points) - modelo logístico onde o cliente retira ou devolve pedidos em pontos físicos parceiros - e a maior distribuição geográfica das operações tornam este mercado mais eficiente e acessível para empresas de todos os portes.

Embora as grandes empresas mantenham participação relevante na movimentação de volumes e na consolidação de novos modelos logísticos, os pequenos e médios negócios (PMEs) vêm fortalecendo sua presença nacional e há uma diversificação da origem dos envios.

A pesquisa mostra uma ampliação do alcance das comercializações virtuais feitas por PMEs, chegando a diferentes mercados do país. "A análise revela uma participação cada vez mais distribuída entre estados e regiões, refletindo uma dinâmica logística mais abrangente", concluiu o estudo.

A maior participação das PMEs se deve a uma logística "mais acessível, eficiente e conectada às diferentes realidades do país". Entre as pequenas e médias empresas atuantes no e-commerce, São Paulo concentra a maioria dos envios, seguido por Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Os clientes dessas empresas estão, principalmente, em São Paulo, Santa Catarina, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná, nesta ordem.

Quando se observa as principais categorias de mercadoria enviadas, móveis e decoração foi o segmento que mais cresceu no primeiro semestre, com alta de 105%. Em segundo lugar, mais bem abaixo, estão os alimentos não perecíveis (+25%), óticas (+20%), itens de beleza e saúde (+16%) e itens de livraria (+11%).

Outro estudo, realizado pelo SPC Brasil em parceria com a Offerwise Pesquisas, reforça a expansão do e-commerce no país ao indicar o ingresso de 20 milhões de novos consumidores nos meios de venda digitais nos últimos 12 meses, somando 139 milhões de pessoas que compraram pela internet ao menos uma vez no período.

Aos empresários, especialmente aos pequenos, esse crescimento significa mais oportunidades de negócios. Somente em 2025, o Sebrae ajudou cerca de 728 mil empresas brasileiras a se destacarem no mercado on-line. A consultora do Sebrae-PR Alessandra de Almeida avalia que ampliar as atividades operacionais para o ambiente digital é um caminho indispensável, inclusive para as empresas menores. Mesmo para quem ainda não quer ou não pode vender pela internet, disse ela, o meio virtual é essencial para a fixação da marca. “O digital vai ganhar força. O pequeno tem que estar no digital mesmo que seja para mostrar os bastidores (de suas atividades) e para ser lembrado”, comentou. “Hoje, é comum o consumidor pesquisar por meio da IA (Inteligência Artificial) e se o vendedor não estiver preparado, a IA pode não mostrar a empresa nos resultados da pesquisa.”

Sites, WhatsApp, Instagram e marketplaces são algumas das principais ferramentas utilizadas para vendas on-line e ganham cada vez mais espaço na preferência dos consumidores, mas Almeida aconselha os empreendedores a avaliarem a que melhor se adapta a sua estratégia de vendas antes de investirem tempo e dinheiro na tentativa de abraçar todo o leque de opções disponíveis.

Uma dica é começar testando os canais gratuitos. “Se não tem como analisar o perfil mais criticamente e de modo eficiente, começa via Instagram, WhatsApp e, a partir disso, vai ganhando mais confiança e começa a se aprofundar mais”, sugeriu. Tentar cobrir todas as plataformas de uma só vez não é o mais recomendado em razão dos custos e da logística envolvidos.

Para quem não sabe como começar, o mais prudente é buscar informação e capacitação técnica. A presença digital exige avaliação de mercado, gestão e entendimento das particularidades do produto. “Se é uma mercadoria com data de validade muito baixa, comece a vender nas redondezas, sem depender de empresas muito grandes para o produto chegar ao destino”, orientou a consultora.

Entender que boa parte das compras on-line é feita por impulso e que o consumidor é imediatista são outros aspectos a serem considerados. “A dinâmica da venda dentro de uma rede social é a descoberta e a compra por impulso”, destacou Almeida. “E o consumidor digital busca imediatismo e não quer esperar por respostas. Ele pode estar acordado, navegando pela internet às duas horas da manhã, e mandar uma mensagem. É importante criar uma automação, um chatbot (software que gerencia as trocas de mensagens e simula uma interação humana), usar ferramentas dentro do próprio WhatsApp para que o cliente não fique sem retorno.”

Em menos de um ano, empresa londrinense tem alta de 100% nas vendas on-line

No planejamento estratégico elaborado pelo empresário Ernesto Iriya, o comércio on-line recebeu atenção especial. Sócio-proprietário da Eletro Center Materiais Elétricos, empresa londrinense especializada em materiais de baixa e média tensão para residências e indústrias, Iriya ingressou no e-commerce no final da pandemia de Covid-19 e atua para fortalecer as vendas no meio digital. “Começamos de forma bem amadora. Ainda hoje, persistimos muito na forma orgânica, mas estamos no caminho de um salto maior”, comentou.

A empresa criou um site que funciona como e-commerce e marketplace e ainda aposta na força das redes sociais e do WhatsApp Business para impulsionar o faturamento. Atualmente, as transações on-line representam entre 10% e 12% do total vendido na loja, mas nos últimos oito a dez meses, Iriya calcula o dobro de negociações via e-commerce. “A loja física ainda impera muito. A parte on-line veio para agregar, no momento. Mas nosso planejamento estratégico é tornar 50% presencial e 50% on-line. Atuar nas duas frentes, sem que o movimento na loja física diminua. Sempre mantivemos a forma orgânica na essência mesmo, e agora queremos alavancar essa parte na área mais profissional, com agendas especializadas e mão de obra mais capacitada”, planejou o empresário.

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