Avanço de Lula derruba bolsas
Agência Estado
O mercado financeiro reproduziu ontem comportamento semelhante ao repetido exaustivamente em anos de eleições presidenciais: fortes baixas das Bolsas de Valores e altas dos juros e das cotações do dólar como resposta a pesquisas de opinião que apontavam favoritismo de candidados menos simpáticos à torcida de investidores. Ontem não foi diferente. A divulgação, no fim de semana, de pesquisa que indica empate técnico entre o presidente Fernando Henrique Cardoso e Luís Inácio Lula da Silva na corrida às eleições de 4 de outubro e a nova rodada de baixa nas Bolsas asiáticas e russa, ontem, provocaram indisfarçável desconforto no mercado.
As Bolsas de Valores trafegaram com sinal negativo de ponta a ponta os pregões de ontem. A de São Paulo oscilou entre uma variação negativa máxima de 3,67% e mínima de 0,99% e fechou com desvalorização de 2,45% o primeiro pregão de junho. O sentimento de preocupação pressionou também as taxas de juro, incluídas as dos CDBs, e os preços do dólar negociado nos mercados futuros e à vista.
Em linhas gerais, o que incomoda o mercado financeiro é a incerteza com o rumo da política econômica com uma eventual vitória do candidato das oposições na próxima eleição presidencial. Teme-se, por exemplo, uma mudança na política econômica, com alterações nas regras da política cambial e monetária, entre outras prováveis alterações. Uma perspectiva que atemoriza o capital estrangeiro, que, diante das incertezas, poderia interromper o ingresso no País e até mesmo sair em revoada.
O agravamento de expectativas, neste caso, tende a afetar principalmente as Bolsas de Valores, que precisam do investidor estrangeiro para a expansão de volume e valorização dos papéis, o mercado de câmbio, porque o País necessita de capital externo para dar continuidade ao Plano Real.
A queda das Bolsas domésticas ontem foi influenciada também pelo novo tombo da Bolsa da Rússia, que se desvalorizou nada menos de 10,24%, e do recuo de 2,23% da Bolsa de Tóquio, diante da divulgação de dados negativos sobre a economia. Entre outros, o índice de desemprego no Japão bateu o recorde de 4,1%.

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