Avanço das exportações pode parar portos
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quarta-feira, 13 de abril de 2005
Kelly Lima<br>Agência Estado 
Rio de Janeiro - O crescimento das exportações em torno de 10% este ano, como prevê o governo federal, pode provocar o ''caos'' no sistema portuário, afirmou ontem o diretor executivo da Associação Centronave - CNTT (Centro Nacional de Navegação Transatlântica), Roberto Higgin. ''Não há espaço para armazenar esta quantidade a mais de contêineres em nenhum porto do País'', afirmou.
Ele lembrou que no ano passado foram movimentados 1,7 milhão de TEUs (unidade usada para medir o volume de contêineres). ''A situação já é crítica se pensarmos em exportações, e ainda sequer consideramos as importações, que devem elevar o volume movimentado nos portos brasileiros de um total de 2,6 milhões de TEUs do ano passado para algo acima de 3 milhões'', considerou.
Higgin disse ainda que ''pouco pode ser feito'' no curto prazo e que é imprescindível que o governo federal ''aja rápido'' para evitar um colapso completo no próximo ano. ''Para 2005, só podemos contar com a criatividade dos administradores de terminais para armazenar estes contêineres sem comprometer prazos e custos para os clientes, o que eu acho muito difícil. Mas para o próximo ano, o ideal seria que houvesse a licitação de novos terminais'', comentou.
O presidente da Associação Brasileira de Terminais Portuários, Willen Mantelli, é da mesma opinião. ''O governo tem que disponibilizar áreas urgentemente para permitir a entrada de novos investidores e a expansão dos atuais terminais tanto em área, quanto em novas tecnologias'', disse. Segundo ele, pelo menos sete empresas teriam projetos de R$ 300 milhões de investimentos que poderiam aumentar a capacidade dos portos brasileiros em dois milhões de toneladas, volume considerado o suficiente para atender a demanda nos próximos cinco anos.
Para o diretor de Infra-estrutura do Ministério dos Transportes, Paulo de Tarso Carneiro, entretanto, não bastaria apenas o lançamento das licitações, o que segundo ele já está sendo viabilizado. ''Há a necessidade de um novo modelo de gestão dos portos brasileiros'', disse.
A idéia, explicou ele sem maiores detalhes, é que o novo modelo fosse aplicado principalmente pelas Docas, autarquias ligadas ao Ministério dos Transportes. ''O primeiro foco da mudança do modelo de gestão seria o financiamento da dragagem dos portos. Em vez de Docas patrocinar esta obra em cada um dos terminais, o ideal seria criar uma taxa para que cada usuário arcasse com sua parte na dragagem que afinal vai beneficiar a todos'', comentou.


