Avanço das economias emergentes
Genebra - O caso mais explícito da competitividade brasileira é o açúcar. O País já é o líder no mercado internacional e, em 2004, exportou 7,3 milhões de toneladas do produto bruto e 4,8 milhões de toneladas do açúcar refinado. Em 2014, esse volume chegará a 15,5 milhões de toneladas para o açúcar bruto e 10,8 milhões de toneladas para o produto refinado.
Para Merritt Chuff, economista da FAO, esse volume pode ser até mesmo superior às projeções dependendo do preço internacional do petróleo que, se explodir, poderá incentivar investimentos em etanol em diversos países.
Para Loek Boonekamp, chefe da divisão agrícola da OCDE, os subsídios existentes no setor do açúcar nos países ricos, mesmo que sejam mantidos, não conseguirão reter o aumento das vendas do Brasil. De fato, essa é uma das principais conclusões do estudo que mostra que, apesar dos subsídios de US$ 280 bilhões por dia, países ricos perderão espaços no mercado internacional para economias emergentes que não contam com subsídios, mas uma ampla competitividade e crescentes investimentos.
A FAO alerta que a maior concorrência gerada pelos emergentes os colocará em papéis centrais na evolução dos mercados agrícolas que desafiarão a posição dos países ricos. O Brasil, por exemplo, roubaria dos Estados Unidos o primeiro lugar como maior fornecedor de soja do mundo. Os americanos, que hoje exportam 30,5 milhões de toneladas por ano, passarão a vender 33 milhões de toneladas de soja em 2014. Já o Brasil, com exportações de 23,4 milhões de toneladas, estará colocando no mercado internacional 36,1 milhões de toneladas.
No setor de carnes, o Brasil também consolidará sua liderança. As exportações de frango do País passarão das atuais 2,5 milhões de toneladas para 2,9 milhões. Já as vendas dos Estados Unidos passarão de 2,4 milhões de toneladas de frango para 2,8 milhões. No setor de carne bovina, o Brasil exportará 1,6 milhões de toneladas em 2014, contra vendas australianas de 1 milhão de toneladas.
No total, o Brasil ainda exportará 7 mil toneladas de carne suína e 3 milhões de toneladas de milho em dez anos. ''O Brasil tem 106 milhões de hectares disponíveis para plantar. Esse é o maior volume de terras que qualquer um tem para usar. Se essa terra for usada, outros deixarão de produzir no mundo'', afirma Chuff.
Apesar do desempenho considerado como invejável, a FAO alerta que a taxa de crescimento das exportações será menor que a registrada nos anos anteriores. (AE)





