Avaliação de clientes sobre telefonia móvel cai no País
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segunda-feira, 28 de setembro de 2015
Fábio Galiotto<br> Reportagem Local 
A qualidade da telefonia móvel tem caído ano a ano desde 2012, de acordo com a visão dos clientes de operadoras no País. Por outro lado, quando a avaliada é a internet fixa por banda larga, o consumidor acredita que houve manutenção do serviço nos últimos três anos, conforme a Pesquisa de Qualidade Percebida divulgada na última sexta-feira pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Para profissionais da área, os dados indicam a insuficiência de investimentos em infraestrutura por parte das empresas, diante do aumento do tráfego de informações e do número de usuários.
Em uma escala de 1 a 5, a nota média dada aos serviços de móvel pré-pago caiu de 3,61 em 2012, para 3,51 em 2013 e de 3,40 em 2014. No caso do pós-pago, foi de 3,30, para 3,26 e para 3,18 nos três anos. Na banda larga fixa, até houve queda de 3,31 em 2012 para 3,23 em 2013, mas foi seguida de aumento a 3,28 no ano passado.
A Sercomtel, empresa pública de telefonia em Londrina, teve as melhores notas entre as empresas que atuam no Estado. Para a pesquisa, foram ouvidos 85,4 mil clientes da telefonia móvel e 46,9 mil de banda larga fixa de todo o País, por telefone, entre abril e dezembro de 2014.
O engenheiro em telecomunicações Mauro Borges, de Londrina, afirma que os usuários de telefonia móvel passaram a usar novos serviços nos últimos anos, como o WhatsApp, para troca de mensagens de texto, em detrimento às mensagens de voz. "As operadoras pecam pela capacidade das redes, tanto que a Sercomtel tem desempenho melhor do que as outras porque tem uma rede local que não é 100% ocupada ainda."
Para Borges, as demais operadoras pecam em investimentos. "Há um aumento muito grande da base de usuários por questões mercadológicas, mas não investem em infraestrutura", diz.
Consultor de telecomunicações em Londrina, Antonio Gomes afirma que é importante levar em consideração o maior grau de exigência por parte do consumidor e o maior tráfego de informações pelos rápidos avanços tecnológicos em telefones. Ele lembra que a avaliação é diferente quando a internet banda larga tem velocidade abaixo de 2 mb, com nota 3,17, ou acima de 2 mb, com 3,37. "A percepção das pessoas também muda. Tanto que as pessoas que têm maior velocidade de banda larga em casa estão mais satisfeitas com o serviço."
Por mais que considere que há falta de investimentos, Gomes completa que as empresas também podem ser pegas de surpresa. "Os resultados de 2015 deverão sofrer interferência da maior necessidade de acesso a dados por serviços que se tornam mais comuns e geram expansão do tráfego, como o WhatsApp ou aqueles para conseguir um táxi", sugere.
Os avanços tecnológicos em equipamentos e telefones, por sua vez, também ajudam a criar expectativas. "Boa parte das pessoas têm smartphone com conexão 4G, mas usufruem de serviços de 3G", conta Borges.
A Sercomtel obteve notas acima das concorrentes em Londrina. As sete operadoras que prestam serviços telefonia móvel pós-paga receberam nota média 3,18 em 2014, enquanto a empresa pública ficou com 4,32. No pré-pago, a média nacional foi 3,40 e a Sercomtel foi avaliada com 3,91. Na banda larga fixa, a londrinense ficou 3,87, atrás apenas da potiguar Cabo Telecom (4,09).
O presidente da Sercomtel, Christian Schneider, afirma que a empresa foi a única a manter a avaliação média nos serviços ao longo dos anos. "Estamos próximos da nota 4, mas temos de chegar o mais perto possível de 5. Todos os anos a Sercomtel é a melhor do Brasil e esses resultados são importantes para atrair mais clientes", conta.


