Curitiba - O vice-governador do Paraná e secretário da Agricultura, Orlando Pessuti, e o superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina, Eduardo Requião, irão a Assunção, no Paraguai, para uma conversa com o presidente Nicanor Duarte Frutos sobre as questões que envolvem o porto. O encontro será na próxima segunda-feira.
A suspensão dos embarques da soja paraguaia, por causa da comprovação de transgenia, é um dos principais pontos da conversa. ''Fomos convidados a participar da reunião e queremos discutir uma solução diplomática para o problema'', disse o superintendente.
O convite foi transmitido ontem pelo delegado do Entreposto Franco do Paraguai no Porto de Paranaguá, Gregório Areco, durante almoço, do qual participou também o governador Roberto Requião (PMDB), no litoral paranaense. ''O Paraguai tem vontade de regularizar todas as coisas que preocupam ambos os governos'', afirmou Areco. Ele não contestou a suspensão de exportação da soja transgênica no porto. ''Como concessionários do porto, devemos respeitar as normas vigentes no Brasil.'' Um acordo formalizado em 1957 transformou o entreposto em território paraguaio e abriu ao país vizinho uma saída para o Atlântico.
''Há um acordo que permite ao Paraguai a utilização das estradas paranaenses e do porto de Paranaguá como corredor de exportação. O que será feito com a soja lá é uma questão que deve ser discutida pelo Itamaraty ou pela Justiça'', explicou o delegado do Ministério da Agricultura no Paraná, Valmir Kowalewski de Souza.
Na sexta-feira passada, o Porto de Paranaguá determinou a suspensão da exportação de soja até que as 70 mil toneladas estocadas no porto sejam analisadas pela Empresa Paranaense de Classificação dos Produtos (Claspar). A Claspar estima que a fase da coleta da soja deve terminar amanhã.
A proibição da exportação pelo porto gerou um impasse entre Brasil e Paraguai. Teoricamente, o Paraguai pode exportar quaisquer produtos que lhe interessem pelo terminal que controla no Porto de Paranaguá. Entretanto, o superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA), Eduardo Requião, não pretende permitir o embarque da soja do silo paraguaio antes de serem solucionados alguns entraves relacionados às máquinas que transferem os grãos do silo para os navios. ''Como o mecanismo é o mesmo utilizado para silos brasileiros, poderia haver contaminação da soja tradicional pela transgênica'', afirmou.
A soja e os produtos transgênicos industrializados, que entram pelas fronteiras do Paraná com a Argentina e o Paraguai continuarão sendo transportados pelo Estado sem restrições. Embora o Ministério da Agricultura vá realizar testes nas cargas de grãos, a mercadoria não ficará retida na fronteira caso haja a comprovação de transgenia.
Segundo Valmir Kowalewski de Souza, o Ministério da Agricultura não é obrigado a seguir a lei sancionada pelo governador Roberto Requião (PMDB), que proíbe a produção, industrialização e a comercialização de produtos geneticamente modificados destinados à alimentação humana e animal. ''A delegacia segue a legislação federal. O Paraguai tem acordos com o Brasil que permitem a entrada de sua produção de soja no Brasil'', explicou o delegado.

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