Autores aceitam negociar ação contra a Sercomtel
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sexta-feira, 24 de outubro de 1997
Carina Paccola Londrina 
Os autores da ação popular, que aponta supostas irregularidades na transformação da Sercomtel em Sociedade Anônima e cuja liminar impede a venda das ações da Sercomtel, estão dispostos a negociar uma solução para essa pendência judicial desde que se estabeleçam algumas regras básicas para a privatização da empresa. Na próxima semana, a negociação deve envolver o Ministério Público, a Prefeitura de Londrina, a Sercomtel e a Câmara Municipal, segundo o advogado Ronaldo Neves, que assina a ação popular. Neves afirma que o receio dos autores é com a possibilidade de a ação ser um entrave para a privatização.
O presidente da Sercomtel S/A Telecomunicações, Rubens Pavan, afirma que vê com bons olhos essa preocupação dos autores da ação popular. A Sercomtel e a prefeitura recebem bem essa manifestação de querer apressar o julgamento da ação, já que não é possível uma simples desistência da ação. Sem resolver essa pendência na Justiça, Pavan ressalta que não há como dar prosseguimento à abertura de capital da Sercomtel. Esse assunto nos preocupa, sobretudo agora em que o governo federal acelera o processo de privatização.
Receosos com o processo de privatização, diretores da Associação dos Proprietários de Linhas Telefônicas (Aprotel) e da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) reuniram-se na tarde de ontem para definir reivindicações que serão apresentadas à Sercomtel. As entidades querem que a Sercomtel seja privatizada até março, antes do sistema Telebrás. O anúncio do ministro das Comunicações, Sérgio Mota, de que pretende que as operadores independentes sejam privatizadas junto com o sistema Telebrás já fez cair em 15% as ações da CRT, de Porto Alegre, diz Abílio Medeiros, da Acil.
Ronaldo Neves, da Aprotel, também afirma que o valor de venda da Sercomtel será menor se for incluído no sistema Telebrás. É necessário que se faça uma avaliação justa da empresa. Outra preocupação das entidades é que se crie um fundo com a venda das ações destinado a obras de interesse da comunidade. Não queremos que o dinheiro da Sercomtel vá para cobrir folha de pagamento da prefeitura ou para serviços que não se revertam para a comunidade.
Rubens Pavan afirma que os prós e contras de a Sercomtel ser privatizada junto com o sistema Telebrás serão levantados pelo trabalho de consultoria, que será iniciado assim que acabar o processo de licitação. A consultoria será feita em tempo hábil para decidirmos se vamos privatizar a empresa antes ou junto com a Telebrás. Pavan enfatiza que tomar essa decisão sem considerar a consultoria seria precipitado.


