CARROS Autopeças teme prejuízos com união de General Motors e Fiat Arquivo FolhaCASA ARRUMADAO presidente da Fiat, Gianni Coda, descartou demissões: ‘‘Já fizemos a reestruturação’’ Agência Folha De São Paulo O Sindipeças, sindicato que representa os fabricantes de autopeças, teme que a aliança entre a Fiat e a General Motors, anunciada na segunda-feira, resulte em prejuízos aos fornecedores das montadoras. Em nota distribuída por sua assessoria, Paulo Butori, presidente da entidade, afirma que a desvantagem viria do maior poder de pressão sobre os preços que as duas empresas terão com a operação casada. A parceria entre a Fiat e a GM será voltada às áreas de compra e produção de motores e câmbios. As duas empresas, que ocupam respectivamente a segunda e a terceira posição no ranking entre os fabricantes brasileiros, estimam redução de US$ 1,2 bilhão nos custos em três anos, por causa da união, em todo o mundo. Mais da metade desse ganho de escala deve resultar das operações de compra. A parceria entre Fiat e GM envolveu recursos de US$ 2,4 bilhões. A montadora norte-americana ficará com 20% da empresa italiana. A Fiat terá 5% do capital da GM. O presidente da Fiat, Gianni Coda, descartou demissões por causa da parceria com a GM. ‘‘O nível de emprego não vai mudar nada. Pode aumentar, mas não diminuir. Já fizemos reestruturação nos últimos dois anos’’, disse ontem. O número de funcionários da Fiat caiu de 24 mil para cerca de 11,5 mil nos últimos três anos. A otimização resultante da parceria entre as duas montadoras não deve chegar ao consumidor. Segundo Coda, as montadoras estão operando no vermelho, o que inviabilizaria a transferência da redução de custos para os preços. A Fiat fechou o ano de 98 com prejuízo de R$ 10 milhões. O resultado de 99, que ainda não está fechado, deve ficar equilibrado. De acordo com o executivo, que integrará o comitê que discutirá as estratégias em conjunto das duas montadoras, a união pode inviabilizar outras parcerias que a Fiat estava estudando. Citou como exemplo as discussões com a Mitsubishi para produzir comerciais leves e com a Ford para fabricar motores na India. Coda ressaltou que as duas montadoras continuarão com suas estruturas independentes. Informou, porém, que no futuro as duas empresas poderão desenvolver plataformas em conjunto para o lançamento de novos produtos.

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