Carmem Murara
De Curitiba
As indústrias de autopeças paranaenses cobraram ontem das montadoras e do governo do Estado uma atitude mais contundente para que elas possam se inserir na cadeia automotiva estadual. As empresas locais alegam que ficaram de fora do esquema de fornecimento de componentes para a fabricação dos carros produzidos pela Renault, Volkswagen/Audi e Chrysler. ‘‘Está na hora de trabalhar pela indústria leite quente’’, afirmou o presidente do Sindicato da Indústria Metal Mecânica, Élcio Rimi.
As formas de apoiar as pequenas indústrias foram discutidas durante uma reunião entre representantes da Câmara Setorial da Indústria Metal Automecânica e secretários de Estado, na sede do Sindimetal. Eles definiram alguns pilares de sustentação para garantir espaço à indústria local. A primeira etapa é incentivar a capacitação das empresas e a segunda fase é promover a reciclagem e recolocação de mão-de-obra de quem está no ‘‘chão de fábrica’’ das empresas paranaenses.
Participaram do encontro os secretários Alex Canziani (Emprego e Relações do Trabalho) e Eduardo Sciarra (Indústria e Comércio) e Ramiro Wahrhafitg (Ciência e Tecnologia). Sciarra colocou aos participantes da reunião que a vinda das montadoras trouxe ao Estado o sistema de modularização, que, na teoria, deveria beneficiar os fornecedores locais. Ele cobrou ainda uma maior aproximação dos sindicatos das empresas com as montadoras. ‘‘Tem que haver uma maior integração entre as empresas daqui com as montadoras’’, disse, em seu discurso de abertura.
Para o Sindimetal, as montadoras devem olhar com mais atenção para a indústria local. ‘‘Demos um tempo para as empresas que vieram de fora, mas chegou a hora de eles verem que aqui também temos boas indústrias. Há muito pouco cooperação por parte das montadoras’’, afirmou Élcio Rimi.
Ele criticou o fato de as montadoras continuarem importando produtos sob alegação de que não há uma produção nacional condizente com o padrão de qualidade exigido. ‘‘Eles se penalizam pois têm de pagar a mais por causa da importação e nos prejudicam pois fecham o mercado para nós’’, afirmou Rimi.

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