Uma ‘‘pesquisa-flash’’ começou a circular ontem entre 507 fabricantes de autopeças do País. O nome sugere o espírito da sondagem: levantar rapidamente a situação do setor e ‘‘seu grau de desespero’’ diante do aumento brutal de juros promovido pelo governo, segundo o negociador do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), Dráusio Rangel. O resultado deve ser conhecido quinta-feira, data provável de uma nova negociação com sindicatos da Força Sindical sobre formas de conter demissões.
Ontem, Rangel e o presidente da central sindical, Paulo Pereira da Silva, além de vários sindicalistas metalúrgicos do interior do Estado, se reuniram pela manhã, na sede do Sindipeças. Paulinho levou, como proposta alternativa às demissões, a sugestão de criação de banco de horas, de concessão de férias coletivas ou licença remunerada para resistir ao momento. Mas avisou que as iniciativas serviriam por pouco tempo.
Segundo o sindicalista, negociações de condições especiais de trabalho podem dar algum resultado, mas por pouco tempo. ‘‘Se os juros continuarem em 50% não precisaremos de negociações e sim de um milagre para preservar empregos.’’, disse.
Para Rangel, uma alternativa que deve ser negociada, caso a pesquisa mostre um universo muito grande de empresas em dificuldades, é a redução de salários e de jornada de trabalho. Segundo o negociador do Sindipeças, banco de horas é eficiente apenas para indústrias com boas condições financeiras em momentos de baixa produção. Além disso, deve haver uma perspectiva de retomada do mercado, fato que ainda não está claro na conjuntura hoje, a partir da qual muitos projetam recessão em 1999.
No caso de férias coletivas, o problema é ainda mais grave, de acordo com ele. O custo imediato para o empresário aumenta, pois as férias têm legalmente de ser acompanhadas do pagamento de um terço do salário a mais. ‘‘Queremos evitar qualquer custo adicional neste momento para que as empresas não tenham de recorrer a bancos’’, afirmou.

mockup