Os vendedores ambulantes de sorvete são desempregados, aposentados ou não, na faixa dos 40 aos 65 anos, e que buscam uma renda extra. Segundo Florinda Soares Luvizotto, sócia proprietária da Espumoni, a empresa não cria nenhum vínculo empregatício com o carrinheiro, mas faz um controle interno. ''Eles vêm trabalhar quando querem, alguns já são conhecidos antigos. Os novatos deixam algum documento como garantia'', destaca.
O aposentado Moisés Lopes da Silva, 70 anos, começou no ramo há 15 anos. ''Comecei a trabalhar vendendo sorvete de carrinho quando já não conseguia mais arrumar emprego nas firmas com carteira assinada. E agora só vou parar quando não tiver mais forças, pois não consigo ficar sem fazer nada'', frisou.
Para Silva, trabalhar como sorveteiro não deixa de ser cansativo, mas é acima de tudo uma forma de ganhar um dinheiro para aumentar a renda. O aposentado não tem por hábito percorrer longos caminhos. Escolheu fazer ponto em uma das esquinas da região central, e a rotatividade de consumidores no local é a chave do negócio. ''Ganho em média R$ 15 por dia. Nunca deixo de vir trabalhar, mesmo no período mais frio do ano'', ressaltou.
O também aposentado José Ulisses da Cunha, 66, está há mais de 25 anos ele sai todos os dias pela manhã com o carrinho, percorre uns três bairros, faz uma parada estratégica em frente a uma empresa durante o horário de almoço e retorna pelo fim do dia. ''Tenho muitos clientes que ficam me esperando. Vendo até fiado para alguns, anoto na cardeneta e no final do mês faço a cobrança. Todos eles me pagam direitinho'', brincou. Por dia, Cunha lucra em média R$ 10. Segundo ele, quando o tempo está mais frio, também leva uns docinhos como opção para a clientela, ''só para não perder a viagem''.
O mais jovem da turma é Sirineu Teotônio, 47, há três anos vendendo sorvete de carrinho, mas desde sempre no ramo de vendas. ''Vendendo sorvete ganho mais, já tenho meus clientes fixos que gostam que eu leve o produto até eles'', contou. Como carrinheiro, ele chega a faturar R$ 30 por dia. Quando o clima não está favorável, Teotônio sai para vender outros produtos, como doces. (E.Z.)

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